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FAPESP Amplia Programa de Mudanças Climáticas com Foco em Saúde e Sociedade

Nova diretriz busca integrar áreas de pesquisa para enfrentar a crise climática e suas consequências sociais.

FAPESP Amplia Programa de Mudanças Climáticas com Foco em Saúde e Sociedade

Essa mudança no programa é crucial, pois busca unir diferentes disciplinas para enfrentar a crise climática, que já impacta a saúde e os direitos humanos. A integração entre ciência, saúde e políticas públicas é essencial para a formulação de soluções eficazes.

O Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) está passando por uma reformulação significativa. Durante eventos realizados na Unicamp entre 22 e 24 de setembro, a nova diretriz do programa foi revelada, evidenciando uma abordagem mais abrangente que inclui saúde pública e políticas sociais. Essa mudança se dá em um contexto onde as evidências científicas indicam que o mundo pode ultrapassar o limite crítico de aquecimento de 1,5 °C já em 2029, gerando eventos climáticos extremos mais frequentes e severos.

O programa, criado em 2008, inicialmente focava nos aspectos físicos das mudanças climáticas. Contudo, diante da crescente urgência do tema, a coordenação decidiu expandir o escopo para incluir questões sociais e de saúde. Luiz Aragão, membro da coordenação do PFPMCG, destacou que a nova estratégia não abandonará a pesquisa em modelagem climática, mas buscará atender às necessidades reais da sociedade, conectando a ciência do clima com a saúde pública.

Os encontros promovidos na Unicamp reuniram pesquisadores e estudantes para discutir a nova fase do programa. O primeiro evento, chamado Vozes do Futuro, foi dedicado a jovens cientistas, enquanto o 6º Workshop do PFPMCG focou em desafios emergentes e a importância de um diálogo interdisciplinar. Durante os últimos 18 anos, o programa já influenciou políticas públicas e contribuiu para importantes descobertas científicas, como as projeções de aumento do nível do mar e os estudos sobre os “rios voadores” da Amazônia.

Com eventos climáticos extremos se tornando mais comuns, a percepção de que a crise climática é uma emergência de saúde e direitos humanos se torna cada vez mais evidente. Maria de Fátima Andrade, do IAG-USP, enfatizou a importância de integrar modelagem climática com dados sanitários para uma compreensão mais holística dos impactos. A nova diretriz busca equilibrar a participação de diferentes áreas do conhecimento, já que atualmente as propostas oriundas das ciências exatas dominam, enquanto a saúde e ciências humanas têm uma representação muito menor.

David Lapola, coordenador do programa, reforçou o compromisso com a interdisciplinaridade, ou como alguns preferem chamar, ‘indisciplinaridade’. As novas chamadas de pesquisa serão focadas em problemas e soluções transversais, garantindo que as ciências humanas e sociais sejam integradas desde o início dos projetos. A participação de cientistas sociais é vista como fundamental para transformar conhecimento em ação efetiva.

Os novos desafios do programa incluem questões como política energética, biodiversidade e saúde em relação às mudanças climáticas. A abordagem “Saúde Única” foi incorporada, reconhecendo a interconexão entre saúde humana, animal e ambiental. A professora Simone Miraglia, agora parte da coordenação, traz uma vasta experiência em pesquisa sobre os efeitos da poluição na saúde pública.

A urgência em considerar a crise climática nas decisões políticas é cada vez mais clara. Com o fenômeno do El Niño se intensificando, as implicações para a gestão pública se tornam críticas. A coordenação do PFPMCG acredita que não há mais espaço para ignorar os aspectos climáticos na formulação de políticas.

Além disso, a discussão sobre obstrucionismo, que se refere a estratégias que atrasam soluções para a crise climática, ganhou destaque. Lapola apontou que, apesar do reconhecimento do problema, algumas nações ainda rejeitam ações concretas, confiando em tecnologias que podem não ser suficientes para mitigar as emissões de gases do efeito estufa. Essa nova fase do PFPMCG é, portanto, não apenas necessária, mas urgente, visando construir um futuro mais resiliente diante das mudanças climáticas.

Resumo da Notícia

O Programa FAPESP de Mudanças Climáticas Globais está se transformando para incluir a saúde pública e políticas sociais em sua abordagem. Com a urgência da crise climática, o programa, que antes focava em aspectos físicos, agora busca uma perspectiva interdisciplinar. O novo planejamento será direcionado até 2030-2040, integrando diferentes áreas do conhecimento para abordar os desafios emergentes e suas repercussões socioeconômicas.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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