Coliseu Romano Recebe Gêmeo Digital para Monitoramento Estrutural Avançado
O Coliseu Romano, um dos mais emblemáticos monumentos da história, agora conta com um gêmeo digital que poderá prever riscos estruturais e orientar sua conservação. Apresentado pelo arquiteto italiano Marcello Balzani durante a 7ª Conferência FAPESP 2026, o projeto é uma união de escaneamento 3D e dados históricos que permite um monitoramento contínuo do edifício.
O gêmeo digital é uma representação altamente precisa do Coliseu, reunindo informações sobre materiais, técnicas de construção, transformações históricas e o estado de conservação da estrutura. Com mais de 200 mil fotografias e 109 bilhões de pontos de dados, o modelo é resultado de um trabalho colaborativo da equipe do Parque Arqueológico do Coliseu, coordenada por Balzani. Para ele, pela primeira vez, o Coliseu possui uma descrição completa, além de uma imagem tridimensional que vai além da mera representação física.
Construído entre 70 e 80 d.C., o Coliseu foi um dos maiores anfiteatros da Antiguidade, conhecido por abrigar espetáculos públicos, incluindo lutas de gladiadores. Sua estrutura complexa permitia a movimentação simultânea de espectadores, combatentes e animais, destacando-se pela engenharia avançada da época. No entanto, a história do Coliseu é marcada por transformações, destruições e restaurações ao longo dos séculos, especialmente após o terremoto de 1349 que danificou significativamente sua estrutura.
A nova abordagem de digitalização do Coliseu não se limita a criar uma imagem 3D, mas sim a construir uma base de dados dinâmica que pode ser continuamente atualizada. O sistema HBIM (Modelagem da Informação de Edificações Históricas) permite associar a geometria do monumento a informações detalhadas sobre sua história e condições atuais. Essencialmente, cada parte do Coliseu é catalogada não apenas como forma, mas também com dados sobre técnicas construtivas, cronologia e intervenções ao longo do tempo.
A conferência destacou a importância da combinação de tecnologia e conhecimento histórico. Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, enfatizou que a tecnologia deve servir de apoio à interpretação histórica e às decisões de conservação. O modelo digital do Coliseu será uma ferramenta vital para monitorar a estrutura, permitindo identificar e prever riscos potenciais, especialmente em uma região suscetível a terremotos.
Balzani também mencionou que o projeto de digitalização do Coliseu se insere em um esforço mais amplo de preservação do patrimônio cultural na Itália. O governo italiano tem investido em iniciativas que garantem a continuidade e a eficácia desses projetos, independentemente das mudanças políticas.
O modelo digital do Coliseu não é apenas uma ferramenta de registro, mas um passo significativo em direção à conservação preventiva e ao entendimento profundo da estrutura ao longo do tempo. À medida que novas informações forem adquiridas, será possível não apenas monitorar a saúde da edificação, mas também aplicar conhecimentos modernos de engenharia para melhorar sua resistência a riscos futuros.
Com esse gêmeo digital, o Coliseu, que já foi um símbolo de espetáculos violentos na Antiguidade, se transforma em uma base de conhecimento que garante sua sobrevivência e relevância na história. Assim, a tecnologia se alia à história, criando novas possibilidades para a preservação do patrimônio cultural mundial.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.