Estudo revela presença de compostos cancerígenos em resíduos no Brasil
Um novo estudo liderado por pesquisadores brasileiros revelou a presença de substâncias tóxicas associadas ao câncer em resíduos sólidos, como espumas e plásticos descartados. As análises indicaram que esses materiais, que muitas vezes são reaproveitados, podem conter ésteres organofosforados clorados, utilizados anteriormente na indústria como plastificantes e retardantes de chama.
A pesquisa, realizada pelo Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (ICTS-Unesp) em parceria com a Universidade de Birmingham, no Reino Unido, destacou que esses compostos, como o tris (1-cloro-2-propil) fosfato (TCIPP), podem prejudicar o sistema endócrino e reprodutivo e estão relacionados ao desenvolvimento de câncer. Os cientistas alertam que a falta de triagem rigorosa na reciclagem pode transformar esses resíduos em um vetor de contaminação.
Foram coletadas 207 amostras de diferentes categorias de resíduos, incluindo veículos em fim de vida, estofados e artigos infantis. Os resultados mostraram que 95% das amostras continham pelo menos um desses compostos, sendo que 13 delas apresentaram níveis preocupantes. Essa situação é alarmante, considerando que o Brasil gera cerca de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos anualmente, sendo o segundo maior gerador da América Latina.
A pesquisa destaca que, embora o Brasil tenha proibido a fabricação de novos produtos contendo PBDEs (retardantes bromados), a reciclagem de materiais antigos, como televisores fabricados antes de 2005, continua a ser permitida até 2030. O Ministério do Meio Ambiente afirmou que a logística reversa atualmente em vigor não inclui protocolos específicos para análise de contaminantes, o que representa um risco para a saúde pública e o meio ambiente.
O estudo, que se baseou em dados históricos limitados sobre contaminantes emergentes em resíduos brasileiros, reforça a importância de estabelecer políticas de reciclagem que considerem a triagem química. Países como Reino Unido e Japão já implementaram medidas rigorosas para evitar a reintrodução de materiais contaminados no ciclo produtivo.
Os pesquisadores enfatizam que a responsabilidade pela triagem química deve ser compartilhada entre diferentes órgãos governamentais. A falta de um protocolo específico pode resultar na migração de substâncias tóxicas para novos produtos, aumentando os riscos à saúde e ao meio ambiente. Portanto, é crucial que o Brasil desenvolva estratégias eficazes para garantir uma economia circular segura e sustentável.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.