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Crédito da imagem: © Acervo IPEN/CNEN

Superaquecimento em reator da USP atrasa pesquisas e produção médica

Incidente no reator IEA-R1 do IPEN suspende atividades e impacta fabricação de radioisótopos essenciais

Impacto na produção médica nuclear

A interrupção temporária do reator IEA-R1 afeta diretamente a disponibilidade de radioisótopos essenciais para diagnósticos e tratamentos médicos no Brasil. Essa situação ressalta a importância da manutenção rigorosa e da modernização dos equipamentos nucleares, garantindo a continuidade dos serviços de saúde e a autonomia tecnológica nacional, especialmente enquanto o novo reator em Iperó não entra em operação.
São Paulo - 28/03/2026 -  A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) conduz a avaliação técnica das readequações necessárias para a eventual retomada da operação do reator de pesquisa IEA-R1, localizado no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN), em São Paulo.  Foto: Acervo IPEN/CNEN
© Acervo IPEN/CNEN

O superaquecimento de componentes dos painéis de controle do reator de pesquisa IEA-R1, que fica na Universidade de São Paulo (USP), dentro do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) na tarde de segunda-feira (23) deve atrasar a retomada das atividades de pesquisa, informou a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). 

O superaquecimento levou à evacuação de prédio com o reator e deve atrasar retomada de produção de radioisótopos de uso médico.

Centro pioneiro na produção nacional de radioisótopos, a instalação fica na capital paulista, dentro do campus Butantã da USP.

Embora o incidente tenha gerado fumaça e danificado parte dos painéis, não houve risco de comprometimento da segurança nem vazamento de radiação. 

O prédio foi vistoriado pela brigada mantida pela própria instituição, pelo Corpo de Bombeiros, pelas equipes do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), e pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). 

"Até o momento, não há diagnóstico das causas do superaquecimento. Foram dois painéis de controle comprometidos. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo foi acionada para medir a qualidade do ar, para trabalhos internos”, informou o Cnen em nota. 

“A empresa emprestou uma bomba que já está em operação no local, para remoção total do ar. Como o reator não estava operando, os painéis particularmente não executavam qualquer ação. Já foi contratada uma empresa para execução do laudo técnico e orçamento para instalação de novos painéis", explicou o Cnen.

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) também fez vistorias no prédio, nos dias 24 e 25, e informou que o incêndio teve natureza localizada e atingiu um conjunto de racks, afetando cabeamento, parte do teto e uma cadeira. 

Os inspetores da ANSN acessaram a sala de controle atingida e constataram a ausência de risco radiológico associado ao evento.

Segundo o Ipen/Cnen o reator de pesquisa encontrava-se desligado no momento da ocorrência. 

"Vale destacar que, mesmo com o reator fora de operação, alguns sistemas permanecem energizados, para garantir condições adequadas de segurança, tais como o sistema de refrigeração dos circuitos primário e secundário e o sistema de aquisição de dados operacionais, dentre outros", disse o órgão.

O Ipen informou ainda que os módulos de controle potencialmente danificados passarão por avaliação técnica, com acompanhamento e aprovação da ANSN, que recomendou a realização de limpeza industrial especializada e acompanhará a reforma do local.

O reator, que tem 68 anos, opera com um núcleo de urânio e tem 12 estações de pesquisa, parte delas utilizada para a produção de elementos radioativos de uso médico ou em agricultura. 

Desde o começo de novembro de 2025 passava por readequações que paralisaram sua operação, após a identificação de alterações em elementos refletores de grafite durante medições realizadas em um duto de irradiação, informou o Ipen.

"Embora o evento não tenha representado comprometimento da segurança nuclear, a equipe responsável pela operação optou pela suspensão imediata das atividades como medida prudencial, a fim de evitar a progressão de danos a componentes do núcleo”, esclareceu a ANSN. 

O Brasil tem atualmente quatro reatores nucleares de pesquisa, todos vinculados à Cnen, sendo o IEA-R1 o maior, com potência licenciada de 5 MW. 

Os reatores nucleares de pesquisa atuam na produção de radioisótopos para a medicina nuclear, no fornecimento de fontes radioativas para aplicações industriais, no desenvolvimento de pesquisas científicas e na formação e o treinamento de pessoal licenciado. 

Também em São Paulo, na cidade de Iperó, está em construção um reator mais moderno, com previsão de entrega até 2029 e capacidade de 30 MW. 

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) esse reator garantirá a autossuficiência na produção do radioisótopo Molibdênio-99, essencial para a obtenção do Tecnécio-99m, utilizado em diagnósticos médicos. 

O reator possibilitará ainda a nacionalização de outros radioisótopos usados em diagnóstico e terapia, além de ser parte do ciclo de desenvolvimento de combustíveis nucleares e materiais utilizados nos reatores das centrais nucleares brasileiras e em novas tecnologias, como os pequenos reatores modulares.

Resumo da Notícia

Um problema de superaquecimento nos painéis de controle do reator de pesquisa IEA-R1, localizado no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da USP, provocou a evacuação do prédio e o adiamento das pesquisas e da produção de radioisótopos usados em medicina. Embora tenha causado danos técnicos e fumaça, não houve risco à segurança nem vazamento de radiação. Equipes de emergência e órgãos ambientais vistoriaram o local, que está passando por avaliações para reparos e substituição dos equipamentos afetados. O reator, com 68 anos de operação e potência de 5 MW, é fundamental para a produção nacional de radioisótopos e pesquisas científicas. Enquanto isso, um novo reator mais moderno está em construção em Iperó, prometendo aumentar a autonomia do país na produção de materiais para diagnósticos e terapias médicas.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.