Pesquisa revela eficácia de clorexidina e fitoterápicos contra fungo hospitalar
Um estudo inovador realizado na Universidade de Franca (Unifran) investigou a eficácia de uma formulação à base de clorexidina alcoólica a 0,5% combinada com fitoterápicos, como eugenol e mentol, para combater o fungo Candida parapsilosis. Publicado na revista Pathogens, a pesquisa revelou uma forte sinergia entre os componentes, demonstrando uma capacidade significativa de inibir a resistência do fungo, uma das principais causas de infecções em ambientes hospitalares.
O Candida parapsilosis é um microrganismo comum na microbiota humana, mas pode se tornar patogênico quando entra em contato com feridas, incisões cirúrgicas ou dispositivos médicos, como cateteres. A contaminação em hospitais geralmente ocorre de forma cruzada, facilitada pelas mãos dos profissionais de saúde. O estudo é coordenado pela professora Regina Helena Pires, e conta com a colaboração de pesquisadores de instituições como a Universidade Federal de Uberlândia e o Instituto de Medicina Tropical da USP.
“A resistência dos microrganismos aos fármacos e a muitos antissépticos torna crucial o desenvolvimento de produtos eficazes para a eliminação de fungos como o C. parapsilosis,” afirma Pires. A pesquisa não apenas mostra a eficácia da clorexidina, mas também busca mitigar os efeitos adversos do uso contínuo de antissépticos à base de álcool, que podem ressecar a pele dos profissionais que os utilizam repetidamente.
Os testes foram realizados com amostras de fungos coletadas das mãos de 60 profissionais que atuavam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátrica e oncológica. As combinações testadas demonstraram um forte sinergismo, aumentando a eficácia do tratamento contra o fungo. Pires destaca que o C. parapsilosis adere tanto à pele humana quanto a superfícies plásticas, o que indica que a associação de antissépticos com fitoterápicos pode ser uma estratégia eficaz.
Atualmente, o grupo de pesquisa está avançando para a fase de testes complementares de eficácia e toxicidade in vivo, utilizando o modelo de invertebrado Caenorhabditis elegans. A professora Pires menciona que a equipe está testando a nova formulação em pedaços de pele de porco, que é a mais próxima da pele humana. Em outubro de 2026, uma das pesquisadoras viajará a Portugal para realizar testes adicionais em parceria com a Universidade do Minho.
Os planos futuros incluem a utilização de técnicas avançadas, como microscopia de varredura e imunofluorescência, para analisar os efeitos das composições sobre as células do fungo. O avanço desses estudos é vital para o desenvolvimento de soluções mais seguras e eficazes para o controle de infecções em ambientes hospitalares, onde a prevenção é fundamental.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.