Bagaço de Uva se Torna Biofertilizante para Flores Comestíveis

Estudo revela que resíduo da produção de vinho potencializa cultivo da calêndula, rica em antioxidantes.

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Bagaço de Uva se Torna Biofertilizante para Flores Comestíveis

Bagaço de Uva se Torna Biofertilizante para Flores Comestíveis

A transformação do bagaço de uva em biofertilizante não só melhora a qualidade das flores comestíveis, mas também contribui para uma prática agrícola mais sustentável. Isso pode impactar positivamente a indústria alimentícia e cosmética, além de promover a economia circular.

Um estudo inovador realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) revelou que o bagaço de uva, normalmente descartado após a produção de vinho, pode ser transformado em um biofertilizante altamente eficaz para o cultivo de flores comestíveis. Em particular, a calêndula pôr do sol (Calendula officinalis L.) se destacou, apresentando um aumento significativo em compostos antioxidantes e melhor desenvolvimento geral.

O bagaço de uva, que representa de 20% a 25% da massa total da uva processada, gera anualmente entre 9 a 13 milhões de toneladas de resíduos no mundo. Esses subprodutos contêm uma rica composição de fibras, açúcares, compostos fenólicos e pigmentos naturais, o que os torna valiosos para a agricultura. Luiz Eduardo Nochi Castro, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, destaca que a utilização do bagaço resulta na criação de novos produtos de alto valor agregado.

Os pesquisadores transformaram o bagaço em um digestato, um biofertilizante líquido obtido por digestão anaeróbia. Ao longo de 2023, o biofertilizante foi testado em cultivos de calêndula durante as estações de verão e inverno, permitindo avaliar o impacto do clima no desenvolvimento das flores. Diferentes doses do adubo e condições de irrigação foram analisadas para otimizar o crescimento das plantas.

As flores colhidas foram submetidas a um processo de liofilização, que preserva suas características. Análises físico-químicas revelaram que a aplicação do biofertilizante teve efeitos notáveis. Durante o verão, a concentração de betacaroteno nas flores aumentou em mais de 250% em comparação ao cultivo convencional, enquanto no inverno, houve uma melhora na retenção de pigmentos e minerais.

Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores reconhecem a necessidade de mais estudos para avaliar a viabilidade técnica e econômica do uso do biofertilizante em larga escala. Questões como a integração desse processo nas vinícolas e a análise de custos e logística são fundamentais para a adoção desse método.

O foco da pesquisa também se expandiu para a extração de outros compostos de interesse, como açúcares e pigmentos naturais, que podem ser utilizados em produtos alimentícios e cosméticos. Castro ressalta a intenção de criar uma cadeia de produção mais sustentável, aproveitando o bagaço de uva não apenas para biofertilizantes, mas também para geração de energia e novos produtos de valor agregado. Essa abordagem está alinhada com os princípios da economia circular, promovendo um ciclo mais sustentável na produção agrícola.

Resumo da notícia
Pesquisadores da Unicamp e UFPR desenvolveram um biofertilizante à base de bagaço de uva, resíduo da fabricação de vinho, que melhora o cultivo de flores comestíveis, como a calêndula. O estudo indica que o uso desse adubo não apenas favorece o crescimento das plantas, mas também aumenta a concentração de compostos benéficos, como antioxidantes. Os resultados abrem caminho para a sustentabilidade na produção agrícola e a valorização de subprodutos da indústria vinícola.
Resumo editorial produzido com apoio de inteligência artificial.