FAPESP e Aura ampliam cooperação em levantamento astronômico inovador
A FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) firmou um acordo com a Association of Universities for Research in Astronomy (Aura), ampliando significativamente a participação de pesquisadores paulistas no Legacy Survey of Space and Time (LSST). Este levantamento, considerado o maior da história da astronomia, será realizado pelo Observatório Vera Rubin, localizado no Chile, ao longo de uma década.
O LSST tem como objetivo mapear o céu do hemisfério Sul, coletando um volume sem precedentes de dados sobre mais de 20 bilhões de galáxias e 17 bilhões de estrelas. O acordo permite que a FAPESP indique até dez pesquisadores principais, cada um com a possibilidade de trazer até cinco colaboradores em início de carreira, totalizando 60 cientistas com acesso a essa vasta base de dados.
Luiz Vitor de Souza Filho, professor do Instituto de Física de São Carlos da USP e assessor da FAPESP, destacou que essa parceria fortalece uma colaboração anterior e estabelece diretrizes claras sobre direitos e responsabilidades. Com isso, a fundação se compromete a investir anualmente cerca de 2,3 milhões de dólares no projeto, que inclui o desenvolvimento de uma infraestrutura de telecomunicações de alta performance.
A Rednesp, uma rede de telecomunicações mantida pela FAPESP, desempenha um papel crucial na transferência de dados do observatório chileno para os centros de processamento nos Estados Unidos. Estima-se que, a cada noite, o LSST gerará cerca de 10 terabytes de dados, que devem ser processados e analisados rapidamente para que outros telescópios possam acompanhar eventos astronômicos em tempo real.
O Observatório Vera Rubin foi projetado para realizar observações repetidas e abrangentes do céu, permitindo a detecção de mudanças e eventos transitórios. O telescópio, com uma câmera de 3,2 bilhões de pixels, tem a capacidade de capturar vastas áreas do céu em alta resolução. Até o final do levantamento, espera-se que o LSST produza cerca de 500 petabytes de dados processados, um volume colossal de informações.
Nos últimos meses, o Vera Rubin já identificou milhares de asteroides e outros fenômenos astronômicos, destacando a capacidade do projeto de contribuir significativamente para a pesquisa em astronomia. Além da busca por novos asteroides, o LSST também foca em temas como a matéria escura e energia escura, além do mapeamento da Via Láctea.
Com esse acordo, a FAPESP reafirma seu compromisso em garantir que a comunidade científica paulista tenha acesso a grandes infraestruturas de pesquisa, consolidando a posição do Brasil na vanguarda da astronomia e da ciência de dados.