Estudo revela papel do selênio na proteção contra o mercúrio na Amazônia

Pesquisa aponta que nutrientes podem reduzir os efeitos tóxicos do mercúrio em ribeirinhos, oferecendo esperança para a saúde da população local.

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Estudo revela papel do selênio na proteção contra o mercúrio na Amazônia

Este estudo traz uma nova perspectiva sobre a saúde das populações ribeirinhas, mostrando como a dieta pode influenciar a toxicidade do mercúrio. A descoberta do papel protetor do selênio é um avanço importante para políticas de saúde pública na região.

Uma pesquisa recente trouxe à luz novos insights sobre a saúde das populações ribeirinhas da Amazônia, que enfrentam altos níveis de mercúrio no sangue. Apesar de apresentarem concentrações até 12 vezes superiores aos limites considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os efeitos nocivos desse metal pesado parecem ser significativamente reduzidos pelo selênio, um nutriente abundante na dieta local, especialmente na castanha-do-pará.

O estudo, coordenado pelo professor Fernando Barbosa Júnior, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), revelou que o selênio não apenas melhora a capacidade do organismo em eliminar o mercúrio, mas também interfere na forma como o contaminante se distribui e é processado no corpo. Essa descoberta é vital, considerando os danos potenciais do metilmercúrio, a forma orgânica do mercúrio que afeta o sistema nervoso central e pode causar sérias consequências, como perda de coordenação e problemas de memória.

Realizado com moradores das bacias dos rios Tapajós e Amazonas, o estudo analisou amostras de sangue e urina de 1.089 voluntários adultos. Os resultados mostraram que, enquanto o metilmercúrio representava 76% do mercúrio no sangue total, o restante era na forma inorgânica, que é eliminada pelos rins. A pesquisa identificou que a presença de selênio está associada a uma menor passagem do metilmercúrio para o plasma, reduzindo a fração do contaminante que pode intoxicar outros tecidos.

Os pesquisadores identificaram dois mecanismos possíveis pelo qual o selênio atua: primeiro, ele se liga ao mercúrio formando compostos menos solúveis, diminuindo sua biodisponibilidade. Em segundo lugar, as selenoproteínas, que atuam como enzimas antioxidantes, podem neutralizar os efeitos nocivos do mercúrio.

As implicações da pesquisa são vastas. Embora a exposição ao mercúrio tenha diminuído nas comunidades do Tapajós, a substituição do consumo de peixe por alimentos ultraprocessados, como frango congelado, levanta preocupações sobre a qualidade nutricional da dieta das populações locais. O peixe, apesar de ser a principal fonte de metilmercúrio, também é uma fonte vital de nutrientes essenciais.

Assim, a recomendação de reduzir o consumo de peixe por causa do mercúrio deve ser cuidadosamente avaliada. É fundamental considerar o equilíbrio entre os riscos associados ao mercúrio e os benefícios nutricionais do peixe, além de adaptar as estratégias de saúde pública às particularidades locais.

O estudo foi realizado em colaboração internacional e representa um avanço significativo no entendimento da interação entre mercúrio e selênio em populações ribeirinhas da Amazônia. Os pesquisadores agora se voltam para a identificação de biomoléculas específicas que podem estar contribuindo para essa proteção, com o objetivo de aprimorar futuras intervenções de saúde.

Resumo da notícia
Uma nova pesquisa demonstrou que, apesar dos altos níveis de mercúrio no sangue de comunidades ribeirinhas da Amazônia, os efeitos tóxicos são minimizados pelo selênio. O estudo, realizado nas bacias dos rios Tapajós e Amazonas, revela que a ingestão desse nutriente, especialmente por meio da castanha-do-pará, ajuda a reduzir a transferência do mercúrio mais tóxico e aumenta sua eliminação do organismo. A descoberta é crucial para entender a saúde dessas populações expostas à contaminação por mercúrio.
Resumo editorial produzido com apoio de inteligência artificial.
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