Estudo revela benefícios da hipóxia intermitente para pacientes com Parkinson
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) realizaram um estudo inovador sobre os efeitos da hipóxia intermitente em pacientes com doença de Parkinson. A pesquisa revelou que a exposição controlada ao ar com baixa oxigenação pode ser segura e benéfica, modulando hormônios e marcadores inflamatórios sem afetar a qualidade do sono.
A técnica, conhecida como hipóxia intermitente, consiste em alternar períodos de respiração de ar rarefeito com ar normal. Segundo Fabio Barbieri, coordenador da pesquisa, os resultados iniciais mostram que a abordagem ativa mecanismos de proteção, possibilitando investigações mais amplas sobre seu uso como terapia complementar. Estima-se que 11 milhões de pessoas no mundo sofrem com a degeneração de neurônios produtores de dopamina, característica da doença de Parkinson, que provoca sintomas motores e não motores significativos.
O estudo, publicado na revista Parkinsonism & Related Disorders e apoiado pela FAPESP, envolveu 30 voluntários, sendo metade com Parkinson e a outra metade saudável. Durante a experiência, os participantes respiraram ar com apenas 10% de oxigênio por ciclos, o que simula condições de alta altitude. Após a sessão, foram observadas reduções nos níveis de cortisol e leptina, além de um aumento da adiponectina, substância anti-inflamatória que se mostra desregulada na doença.
Os pesquisadores ficaram aliviados ao constatar que a técnica não provocou alterações adversas no sono dos voluntários. "Uma única sessão de hipóxia intermitente não alterou parâmetros gerais do sono, tanto em pessoas com Parkinson quanto em voluntários saudáveis", destaca Murilo Henrique Faria, primeiro autor do estudo.
Embora a exposição à hipóxia tenha mostrado efeitos positivos nos biomarcadores, como a redução do cortisol, a pesquisa ainda sugere que mais estudos são necessários para avaliar o impacto a longo prazo da técnica no ciclo de sono-vigília.
Carlos Augusto Kalva-Filho, coautor do estudo, explica que a hormese — a capacidade do corpo de se adaptar a pequenos estresses — é a base da eficácia da hipóxia intermitente. A pesquisa destaca que, ao contrário do mal agudo da montanha, onde o corpo enfrenta estresse contínuo, a abordagem controlada em laboratório evita sobrecargas, otimizando a produção de energia nas células.
Os resultados preliminares abrem novas possibilidades de tratamento para a doença de Parkinson, que atualmente conta com o exercício físico como a única estratégia eficaz para melhorar os sintomas clínicos. A combinação da hipóxia intermitente com outras formas de terapia pode ser o caminho para um manejo mais completo da condição, embora a cura da doença ainda esteja fora de alcance.