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Crédito da imagem: © Fernando Frazão/Agência Brasil

Especialistas alertam para impactos ambientais em intervenções costeiras

Obras para conter erosão nas praias brasileiras podem causar danos ambientais e desequilíbrios na costa

Desafios na proteção do litoral

A adoção de estruturas artificiais para conter o avanço do mar pode trazer impactos ambientais e sociais significativos, como a degradação de ecossistemas costeiros e aumento da erosão. Priorizar soluções naturais e o planejamento baseado em estudos científicos é fundamental para garantir a sustentabilidade das áreas litorâneas, protegendo a biodiversidade, a economia local e a qualidade de vida das comunidades que dependem desses ambientes.
Rio de Janeiro (RJ), 30/07/2025 – Ressaca no mar traz ondas grandes à praia do Leme, provocadas pela passagem de um ciclone extratropical. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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Obras como engordas artificiais de praia, molhes de pedra e muros de contenção têm se multiplicado para conter o avanço do mar no litoral brasileiro. Porém, especialistas alertam para efeitos colaterais no meio ambiente e para a necessidade de soluções baseadas na natureza.

Na semana passada, o governo do Paraná foi multado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em R$ 2,5 milhões pelo uso de sacos plásticos com areia para conter a erosão no litoral de Matinhos.

Cidades litorâneas têm recorrido com frequência à engorda de praia, técnica para ampliar artificialmente a faixa de areia. Municípios como Balneário Camboriú e Piçarras, em Santa Catarina, tornaram-se exemplos desse tipo de intervenção.

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) observaram que essas obras podem alterar a dinâmica natural das ondas e das correntes marítimas. Em nota técnica, o grupo de pesquisa indica mudanças nos padrões de circulação da água, o que pode afetar a qualidade dela e até aumentar o risco de afogamentos em áreas recentemente alargadas.

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Segundo o professor Alexander Turra, pesquisador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), estruturas emergenciais costumam resolver um problema localizado, mas acabam provocando desequilíbrios em outros pontos da costa.

“Essas obras podem reter areia de um lado, mas intensificar a erosão do outro. O resultado é um efeito dominó que exige novas intervenções e pode comprometer a continuidade da praia”, explica Turra.

O pesquisador cita casos no litoral sul da Bahia e no litoral paulista em que empreendimentos turísticos foram construídos em áreas naturalmente vulneráveis ao avanço do mar. A ocupação em muitas dessas regiões ocorreu com a supressão de restingas e dunas, ecossistemas que funcionavam como barreiras naturais.

Com o avanço da erosão, hotéis e outras estruturas passaram a construir muros de contenção para proteger suas instalações. O resultado, porém, é a perda quase total da faixa de areia durante a maré alta.

Soluções da natureza

Pesquisadores defendem a ampliação das chamadas soluções baseadas na natureza para a proteção costeira. A bióloga Janaína Bumbeer, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, explica que ecossistemas como manguezais, restingas, dunas e recifes de coral desempenham papel fundamental na proteção do litoral.

“Esses ambientes absorvem a energia das ondas, mantêm os sedimentos no lugar e amortecem o impacto das tempestades”, diz Bumbeer. “A praia é dinâmica, mas as estruturas de concreto são estáticas e não se adaptam aos ciclos naturais”.

Além de proteger a costa, esses ambientes também oferecem benefícios econômicos e ambientais. Estudo coordenado pela bióloga estima que os recifes de coral do Nordeste brasileiro evitam até R$ 160 bilhões em danos graças à sua função de proteção costeira.

 

Magé (RJ), 15/10/2024 - Área de manguezal, recuperada após desastre ambiental, no Parque Natural Municipal Barão de Mauá, na margem da Baía de Guanabara. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Área de manguezal, recuperada após desastre ambiental, no Parque Natural Municipal Barão de Mauá, na margem da Baía de Guanabara. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Manguezais também desempenham papel estratégico: além de armazenarem grandes quantidades de carbono, sustentam cerca de 70% das espécies pesqueiras exploradas comercialmente no Brasil em alguma fase do ciclo de vida.

Restingas e dunas, por sua vez, conseguem acumular sedimentos e crescer verticalmente, acompanhando a elevação do nível do mar quando preservadas.

Para Turra, ampliar o conhecimento público e planejar melhor a ocupação do litoral são medidas essenciais diante das mudanças climáticas.

“O litoral é um bem coletivo. Planejar sua ocupação com base em evidências científicas é garantir que ele continue existindo e gerando prosperidade para as próximas gerações, e não apenas para interesses particulares de curto prazo”, afirma.

Resumo da Notícia

Intervenções artificiais no litoral brasileiro, como engordas de praia, molhes e muros de contenção, têm sido adotadas para conter o avanço do mar, mas especialistas alertam para seus efeitos negativos no meio ambiente. Pesquisas apontam que essas estruturas alteram a dinâmica natural das ondas e correntes, comprometendo a qualidade da água e aumentando riscos, além de causar erosão em áreas adjacentes. Casos no litoral sul da Bahia e em São Paulo mostram como a ocupação desordenada elimina ecossistemas naturais como restingas e dunas, agravando o problema. Pesquisadores defendem soluções baseadas na natureza, como a preservação de manguezais, recifes de coral e dunas, que protegem a costa de forma eficiente e sustentável. Esses ambientes também oferecem benefícios econômicos e ambientais, contribuindo para a pesca e mitigação dos impactos climáticos. A conscientização pública e o planejamento territorial fundamentado em evidências científicas são apontados como essenciais para garantir a preservação do litoral e seu uso sustentável a longo prazo.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.