Cuidar de filhos com transtornos mentais consome metade da renda familiar

Estudo revela impacto financeiro e emocional significativo para mães e familiares de jovens com transtornos mentais no Brasil

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Cuidar de filhos com transtornos mentais consome metade da renda familiar

Impacto econômico do cuidado mental

Os elevados custos indiretos associados ao cuidado de jovens com transtornos mentais afetam significativamente a estabilidade financeira e emocional das famílias, especialmente das mães cuidadoras. Reconhecer essa realidade é fundamental para a formulação de políticas públicas que garantam suporte financeiro e serviços adequados, promovendo maior equilíbrio entre saúde, trabalho e qualidade de vida para cuidadores e pacientes.



“Os custos vão muito além dos cuidados médicos diretos, atingindo a capacidade de trabalho, o equilíbrio doméstico e as finanças pessoais, independentemente da classe social”, destaca Carolina Ziebold, da Unifesp (imagem: Shurkin_son/Freepik)





Saúde Mental


Apoio a filhos com transtornos mentais tem custo equivalente a 50% da renda mensal da família




24 de fevereiro de 2026





Dados são de projeto ligado ao Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental. Estudo foi realizado com 1.158 cuidadores de jovens entre 14 e 23 anos



Agência FAPESP * – Um estudo conduzido com 1.158 cuidadores de jovens com transtornos mentais, sendo 94,2% mães, revelou que a assistência tem um custo indireto médio correspondente à metade de sua renda mensal. Esse dado vale para participantes de todos os níveis socioeconômicos.



Os custos incluem o impacto na produtividade desses responsáveis, as horas dedicadas ao cuidado do filho, os efeitos em sua saúde e as despesas do próprio bolso, como, por exemplo, gastos com transporte para acessar os serviços de saúde.



Os pesquisadores analisaram o impacto econômico indireto enfrentado pelos cuidadores de jovens de 14 a 23 anos.



Os participantes integram a Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais. Também chamado “Conexão Mentes do Futuro”, o projeto é ligado ao Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM). O CISM é um dos Centros de Pesquisa Aplicada (CPAs) da FAPESP, com sede na Universidade de São Paulo (USP) e parceria das federais de São Paulo (Unifesp) e do Rio Grande do Sul (UFRGS).



Os resultados foram publicados no periódico científico Value in Health.



A pesquisa revelou que quase 40% das famílias (458) relataram impactos econômicos indiretos atribuídos à situação de saúde mental do jovem que cuidam. Foram avaliados gastos pessoais e de uso de serviços de saúde pelos pais/cuidadores, sem incluir os custos dos serviços utilizados pelos filhos, além de perdas de produtividade e tarefas domésticas dos responsáveis em um período de seis meses.



Carolina Ziebold, doutora em psiquiatria pela Unifesp e primeira autora do estudo, destaca que um dos elementos inéditos é a mensuração do custo do cuidado associado a transtornos mentais comuns, como ansiedade, depressão e transtornos do comportamento.



“A pouca literatura existente costuma concentrar-se no transtorno do espectro autista [TEA] ou em outras condições de maior complexidade e impacto para as famílias. Nosso estudo demonstra que, mesmo em casos de transtornos mais frequentes, os cuidadores, especialmente as mães, enfrentam um impacto no desenvolvimento ocupacional, na própria saúde e no bolso equivalente à metade dos seus salários”, aponta.



Para Ziebold, a pesquisa destaca um aspecto frequentemente negligenciado: o ônus financeiro significativo que recai sobre as famílias de jovens com transtornos mentais. “Os custos vão muito além dos cuidados médicos diretos, atingindo a capacidade de trabalho, o equilíbrio doméstico e as finanças pessoais, independentemente da classe social”, destaca a pesquisadora.



Diante dos resultados, os pesquisadores indicam a necessidade de políticas que ofereçam apoio financeiro ou logístico aos cuidadores, especialmente mulheres, que são as mais afetadas. Algumas das sugestões são a criação de programas de cuidado que considerem de forma abrangente as famílias como um todo e estratégias que promovam o alívio do peso econômico e melhorem o bem-estar dos cuidadores e dos jovens.



* Com informações de Mainary Nascimento, do CISM.

Resumo da notícia
Uma pesquisa realizada com mais de mil cuidadores de jovens entre 14 e 23 anos mostrou que os custos indiretos do cuidado com transtornos mentais representam cerca de 50% da renda mensal dessas famílias, independentemente da classe social. O estudo, conduzido pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental ligado à USP, Unifesp e UFRGS, destacou que além das despesas diretas, os responsáveis enfrentam perdas de produtividade, desgaste emocional e gastos extras, como transporte para tratamentos. A maioria dos cuidadores são mães, que sofrem impactos na saúde e na vida profissional. Os pesquisadores ressaltam a urgência de políticas públicas que ofereçam suporte financeiro e logístico para aliviar o peso sobre essas famílias e melhorar a qualidade de vida tanto dos jovens quanto dos seus cuidadores.
Resumo editorial produzido com apoio de inteligência artificial.