Saúde e Bem-Estar Brasil

Crescimento de internações por emergências oncológicas no SUS revela falhas no diagnóstico precoce

Estudo da Unifesp aponta aumento nas internações e óbitos, especialmente entre mulheres e moradores das regiões Norte e Nordeste.

Crescimento de internações por emergências oncológicas no SUS revela falhas no diagnóstico precoce

O aumento das internações por emergências oncológicas no SUS destaca a urgência de reformas no sistema de saúde brasileiro. Melhorar o diagnóstico precoce pode não apenas salvar vidas, mas também reduzir custos e a pressão sobre os serviços de emergência.

As emergências oncológicas, que envolvem complicações graves resultantes do câncer ou de seu tratamento, estão se tornando cada vez mais frequentes nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. De acordo com um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), entre 2008 e 2024, as internações de urgência relacionadas ao câncer aumentaram em média 3,5% ao ano, enquanto os óbitos hospitalares nessa mesma faixa temporal subiram 4,1%.

O estudo, que analisou quase 5 milhões de registros de internações no SUS, foi coordenado pelo professor Lucas Leite Cunha e revelou que esse crescimento ocorreu mesmo após ajustes estatísticos considerando o envelhecimento da população. Isso sugere que fatores como diagnósticos tardios e dificuldades de acesso ao tratamento estão contribuindo para a situação alarmante.

Emergências oncológicas ocorrem quando o câncer provoca complicações agudas que requerem atenção imediata, como insuficiência respiratória, obstrução intestinal e compressão da medula espinhal. “Essas situações indicam que o câncer deixou de ser uma doença localizada e passou a afetar gravemente a saúde do paciente”, explica Cunha. O estudo também revelou que muitos pacientes chegam ao hospital em estado crítico, com diagnósticos tardios que dificultam as chances de recuperação.

Além do aumento nas internações, a pesquisa identificou desigualdades significativas. O crescimento das emergências oncológicas foi mais pronunciado entre mulheres, pessoas pretas e pardas, idosos e moradores das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Esses dados refletem desigualdades históricas no acesso a serviços de saúde, rastreamento e tratamento especializado.

Cunha ressalta que o aumento das internações não pode ser atribuído unicamente ao envelhecimento da população, o que indica que há outros fatores em jogo no funcionamento do sistema de saúde. O estudo conclui que é fundamental reforçar as estratégias de prevenção e diagnóstico precoce do câncer. "Investir em diagnóstico precoce é mais eficiente e menos custoso do que tratar emergências oncológicas", afirma o professor.

Com os dados em mãos, a equipe da Unifesp pretende investigar mais a fundo a relação entre diagnósticos e internações de emergência, buscando entender melhor a jornada dos pacientes no sistema de saúde brasileiro. Fortalecer as políticas de saúde pública é essencial para mudar esse cenário e garantir um atendimento mais eficaz e humano para os pacientes com câncer.

Resumo da Notícia

Um novo estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que as internações por emergências oncológicas no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentaram 3,5% ao ano de 2008 a 2024. Com base em 5 milhões de registros, a pesquisa indica que o crescimento das internações e óbitos afeta de forma desproporcional idosos, mulheres e pessoas pretas e pardas, evidenciando falhas no diagnóstico precoce e no acesso ao tratamento adequado. O aumento das emergências oncológicas reflete a necessidade urgente de melhorias nas estratégias de prevenção e rastreamento do câncer no Brasil.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

Notícias por município