Corte na Produção de Plástico é Obstáculo ao Tratado Global de Poluição
O encerramento da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos, realizado em Campinas (SP), trouxe à tona um tema crucial: a estagnação do Tratado Global contra a Poluição Plástica. Embora 175 países, incluindo o Brasil, tenham assinado o acordo durante a Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente em 2022, a falta de consenso sobre a redução da produção de plástico impede que o tratado avance.
Cientistas como Richard Thompson, da Universidade de Plymouth, e Martin Wagner, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, destacaram os principais pontos de discórdia entre os países. Enquanto nações produtoras de petróleo defendem apenas a gestão de resíduos, uma coalizão de 66 países defende que é necessário agir em todo o ciclo de vida do plástico, desde sua produção até o descarte.
Thompson enfatizou que a abordagem de apenas manejar resíduos não resolverá o problema da poluição. Para ele, é imprescindível reavaliar o que estamos produzindo e como isso impacta o meio ambiente. A discussão gira em torno de adotar medidas no início do ciclo de vida do plástico, permitindo um design mais sustentável dos produtos.
Outro aspecto importante nas negociações é a transparência química, que exige que os produtores divulguem informações sobre a composição dos plásticos. Além disso, a transição justa deve ser considerada, levando em conta os direitos dos catadores de resíduos e as desigualdades entre países em desenvolvimento.
Com relação ao futuro das negociações, Thompson sugeriu que um acordo inicial entre nações mais ambiciosas poderia abrir caminho para a adesão de outros países ao longo do tempo. No entanto, muitos países em desenvolvimento permanecem indecisos, muitas vezes devido à falta de informações claras sobre as evidências científicas disponíveis e à influência de interesses que se opõem à redução da produção.
O simpósio também abordou a importância de conectar evidências científicas com políticas públicas. Amy Lusher, do Instituto de Pesquisas Hídricas da Noruega, destacou experiências de monitoramento de microplásticos na Europa, que podem informar a formulação de políticas eficazes.
No Brasil, iniciativas como a Rede Oceano Limpo, coordenada por Alexander Turra, visam articular diferentes setores em torno de políticas para reduzir os impactos do lixo marinho. A Estratégia Nacional Oceano sem Plástico, formalizada em 2025, é um exemplo de como ações colaborativas podem contribuir para enfrentar a poluição.
Com a participação da Coalizão de Cientistas por um Tratado Efetivo, cerca de 450 cientistas de 70 países buscam compartilhar evidências científicas com as delegações envolvidas nas negociações do tratado e combater a desinformação que ameaça enfraquecer o acordo. O papel das evidências na formulação de políticas é fundamental para garantir que as ações sejam baseadas em dados concretos e efetivos.
O sucesso do Tratado Global contra a Poluição Plástica dependerá da capacidade dos países de encontrar um consenso sobre a redução da produção e a implementação de práticas mais sustentáveis. A urgência de agir é clara, e a ciência deve ser a base para as decisões que moldarão o futuro do nosso planeta.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.