Brasil carece de planos de alerta para desastres naturais, aponta pesquisa

Estudo revela que 30% dos municípios não têm contingência para inundações e secas, e apenas 8% para ondas de calor.

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Brasil carece de planos de alerta para desastres naturais, aponta pesquisa

A falta de planos de contingência e sistemas de alerta eficazes coloca milhões de brasileiros em risco. Com eventos climáticos extremos se tornando normais, é crucial que os municípios adotem medidas preventivas para proteger a população.

Uma pesquisa recente revelou que muitos municípios brasileiros estão despreparados para lidar com desastres naturais, como inundações e secas. De acordo com o estudo publicado na revista Disaster Risk Science, cerca de 30% das cidades do país não possuem um plano de contingência para enfrentar esses eventos. Além disso, 37% dos municípios não contam com um sistema de alerta eficaz.

Os pesquisadores analisaram a capacidade de implementação de sistemas de alerta precoce em 2.289 municípios, representando 41% dos 5.570 do Brasil. A pesquisa foi realizada dentro do projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (COPE), financiado pela FAPESP. Um dos dados mais preocupantes é que menos de 8% das cidades têm planos específicos para enfrentar ondas de calor, um cenário que deve se agravar com a previsão de um El Niño severo entre 2026 e 2027.

O sociólogo Victor Marchezini, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), destaca que é fundamental que as administrações locais implementem seus próprios sistemas de alerta. Segundo ele, muitas vezes os cidadãos recebem avisos de alerta sem saber como agir ou para onde ir, o que demonstra a falta de eficácia dos sistemas atuais.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores avaliaram sete aspectos principais, incluindo o tamanho da equipe de Defesa Civil, o orçamento disponível e a capacidade de mapear áreas de risco. O estudo também revelou que 25% dos municípios não possuem mapas de risco, e apenas 14% utilizam ferramentas geotécnicas para a urbanização.

O levantamento identificou que existem cerca de 13,5 mil agentes de Defesa Civil, mas o número é insuficiente e a experiência das equipes é muitas vezes limitada. Marchezini aponta que a mobilização para agir ocorre somente após desastres, evidenciando uma cultura de improviso que compromete a preparação.

Com eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, a pesquisa evidencia que cerca de um quarto dos municípios não possui medidas de apoio para as famílias em áreas de risco. Além disso, a participação da sociedade nas ações de defesa civil é alarmantemente baixa, com apenas 6,4% dos municípios relatando envolvimento frequente da população.

Apesar de 69% dos municípios afirmarem ter capacidade para emitir avisos, apenas 32% utilizam um sistema de alerta reconhecido. Isso sugere que muitos municípios podem estar usando canais informais, como redes sociais, para se comunicar com a população durante crises, o que pode comprometer a eficácia das mensagens de alerta.

Para mudar esse cenário, Marchezini sugere que os sistemas de alerta sejam estruturados como uma política pública, com ações de monitoramento, planejamento urbano e comunicação inclusiva. O grupo de pesquisa planeja agora analisar os resultados por região e porte de município, além de buscar maneiras de cooperar com as administrações locais para melhorar a prevenção de desastres. A metodologia que avalia a capacidade de implementação de sistemas de alerta será aplicada novamente para monitorar os avanços nas medidas adotadas ao longo do tempo.

Resumo da notícia
Uma pesquisa publicada na revista Disaster Risk Science revela que a maioria dos municípios brasileiros está despreparada para enfrentar desastres naturais. Com 30% das cidades sem planos de contingência e 37% sem sistemas de alerta, as falhas expõem a vulnerabilidade da população. O estudo, que analisou 2.289 municípios, destaca a necessidade de fortalecer a estrutura de defesa civil e promover a participação da sociedade nas ações preventivas diante dos eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes no Brasil.
Resumo editorial produzido com apoio de inteligência artificial.
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