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Biomarcadores no Sangue Podem Aumentar Eficácia da Imunoterapia no Câncer de Pulmão

Pesquisa revela que proteínas nas células de defesa antecipam resposta ao tratamento, potencializando acesso à imunoterapia.

Biomarcadores no Sangue Podem Aumentar Eficácia da Imunoterapia no Câncer de Pulmão

A identificação de biomarcadores no sangue pode revolucionar o tratamento do câncer de pulmão, direcionando a imunoterapia para quem realmente precisa. Isso não só aumenta a eficácia do tratamento, mas também pode reduzir custos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Pesquisadores apoiados pela FAPESP descobriram que biomarcadores presentes no sangue podem prever a eficácia da imunoterapia em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP), o tipo mais comum da doença. A pesquisa, publicada na revista iScience, sugere que essa estratégia pode otimizar o tratamento, facilitando o acesso a essa terapia no Sistema Único de Saúde (SUS).

O CPCNP representa cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão e, frequentemente, é diagnosticado em estágios avançados. O estudo analisou amostras de sangue de 33 pacientes com tumores metastáticos antes do início da terapia, com o intuito de entender melhor o estado das células de defesa. Os pesquisadores se depararam com um desafio significativo: tumores que conseguem silenciar a resposta do sistema imunológico. No CPCNP, isso se deve à ativação de proteínas específicas na membrana dos linfócitos T, que são essenciais para a defesa do organismo.

A imunoterapia atua utilizando anticorpos que bloqueiam essas proteínas, reativando a resposta imunológica e ajudando o corpo a combater os tumores. “São anticorpos que vão tirar os freios da resposta imune para reativá-la e dar chance de atacar o tumor”, explica Kenneth Gollob, líder da pesquisa e diretor do Centro para Pesquisa em Imuno-Oncologia (CRIO).

A equipe identificou uma assinatura imunológica composta por marcadores que indicam quais pacientes têm maior probabilidade de responder ao tratamento. Essa informação é crucial, pois atualmente apenas 20% a 50% dos pacientes mostram resposta à imunoterapia. Gollob acredita que, ao direcionar a terapia para aqueles com maior chance de sucesso, é possível reduzir custos e ampliar o acesso a esses medicamentos no SUS.

A técnica utilizada, a citometria de fluxo, já está disponível em laboratórios clínicos e é utilizada para diagnósticos como leucemia, o que torna essa abordagem viável em termos de custo e acessibilidade. A pesquisa também demonstrou que a inativação de duas proteínas específicas pode reativar parcialmente linfócitos T de pacientes que não respondiam ao tratamento anteriormente.

Apesar do avanço, a imunoterapia não é isenta de riscos. Efeitos colaterais, como reatividade autoimune, podem ocorrer, com algumas reações severas afetando tecidos saudáveis, especialmente os pulmões. Adicionalmente, os pesquisadores notaram que alguns tumores podem desenvolver resistência ao tratamento ao longo do tempo, um desafio que a equipe pretende enfrentar propondo combinações de diferentes terapias.

O trabalho foi conduzido por uma equipe multidisciplinar do CRIO e do Hospital Israelita Albert Einstein, contando com colaborações de várias instituições, incluindo o A.C. Camargo Cancer Center. Com planos para novos ensaios clínicos, a pesquisa abre caminho para uma abordagem mais personalizada no tratamento do câncer de pulmão e até mesmo em outros tipos de câncer considerados “quentes”. Gollob também está explorando biomarcadores em cânceres de próstata, cólon, reto, cervical, endometrial e de ovário, ampliando assim o impacto dessa pesquisa em oncologia.

Resumo da Notícia

Um estudo recente identificou biomarcadores no sangue que ajudam a prever a eficácia da imunoterapia em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP). A pesquisa, apoiada pela FAPESP, utiliza técnicas acessíveis para mapear o estado das células de defesa antes do tratamento. Essa abordagem pode direcionar a terapia para pacientes com maior probabilidade de resposta, aumentando o acesso a tratamentos caros e melhorando os resultados clínicos.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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