Atividade Física Reduz Risco de Depressão em Idosos, Revela Estudo
Manter-se ativo fisicamente ao longo da vida pode ser um fator crucial na redução do risco de sintomas depressivos na velhice, segundo um estudo internacional que analisou dados de mais de 15 mil pessoas com 50 anos ou mais, acompanhadas por até 12 anos. A pesquisa foi realizada em dois grandes projetos: o Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA) e o Estudo sobre Saúde e Aposentadoria (HRS), ambos focados em adultos mais velhos no Reino Unido e nos Estados Unidos.
O estudo, liderado por André de Oliveira Werneck, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP, buscou avaliar a relação entre a atividade física e a incidência de sintomas depressivos em idosos. A metodologia inovadora utilizada, conhecida como emulação de ensaio-alvo, permitiu simular um cenário de ensaio clínico randomizado a partir de dados observacionais, ajustando variáveis que poderiam distorcer os resultados.
Dentre os cenários analisados, aqueles que praticavam atividade física moderada ou vigorosa pelo menos duas vezes por semana apresentaram uma redução significativa no risco de desenvolver sintomas depressivos. A pesquisa apontou que a prática de atividades físicas moderadas resultou em uma diminuição de cerca de 12% a 13% nos sintomas depressivos entre os participantes norte-americanos, enquanto a prática de atividades vigorosas pelo menos uma vez por semana reduziu o risco em até 16% no Reino Unido.
Werneck destaca que não é necessário realizar exercícios intensos para obter benefícios: atividades simples como caminhar ou jardinagem já se enquadram na categoria de atividade física moderada e são mais acessíveis para a população idosa. Além disso, a pesquisa sugere que a atividade física em doses menores do que as recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) pode ser suficiente para melhorar a saúde mental.
A depressão entre os idosos é um problema crescente, frequentemente não reconhecido e confundido com o envelhecimento normal. O professor Brendon Stubbs, orientador de Werneck, enfatiza que a atividade física é uma das poucas intervenções que podem simultaneamente beneficiar a saúde mental e física, com riscos muito baixos e alta acessibilidade. Ele ressalta a importância de integrar a atividade física à rotina diária e promover a interação social para melhorar a adesão ao exercício.
Os autores do estudo acreditam que seus achados podem guiar políticas públicas mais inclusivas, focadas em pequenas mudanças sustentáveis que incentivem a atividade física entre os idosos. Criar ambientes que facilitem a prática de exercícios e promover uma cultura de saúde e bem-estar pode ter um impacto significativo na qualidade de vida dessa população, ajudando a prevenir a depressão e a promover uma velhice mais saudável.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.