A educação como pilar na prevenção de desastres

Patrícia Mie Matsuo defende a educação e a participação comunitária na prevenção e na redução de riscos socioambientais.

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A educação como pilar na prevenção de desastres

A conscientização sobre a origem social dos desastres é essencial para a construção de uma sociedade mais resiliente. A educação, ao incluir a prevenção de riscos, pode transformar a forma como comunidades lidam com eventos extremos.

Inundações, secas, incêndios florestais e ondas de calor estão se tornando mais intensos e frequentes em um cenário de mudanças climáticas causadas pela ação humana. Em entrevista à Agência FAPESP, a pesquisadora Patrícia Mie Matsuo destaca que os desastres não devem ser tratados como fatalidades naturais: são processos sociais construídos a partir da desigualdade, da pobreza e da vulnerabilidade. A educação tem papel central na prevenção e na redução de riscos socioambientais.

Em uma entrevista à Agência FAPESP, Matsuo, professora da Universidade Federal do ABC, enfatizou a importância de desconstruir a ideia de que desastres são castigos ou fatalidades. Para ela, essa visão impede que se fortaleça uma cultura de prevenção e redução de riscos. A pesquisadora, que venceu o Prêmio Capes de Tese 2023, destaca que é preciso ir além de soluções imediatas e emergenciais, e que a educação desempenha um papel estratégico nessa transformação.

Durante o 6º Workshop do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, Matsuo abordou como a escola pode ser um espaço central para formar uma nova geração consciente dos riscos ambientais. Ela acredita que a educação deve integrar a temática socioambiental em diversas disciplinas, permitindo que os alunos compreendam e identifiquem os sinais de perigo em seu próprio território.

Um dos pontos cruciais da pesquisa de Matsuo é a necessidade de incluir o conhecimento da comunidade no mapeamento de áreas de risco. Segundo ela, muitas vezes esse processo é considerado técnico, mas é essencial que as experiências e informações locais sejam incorporadas. Assim, ao formular planos comunitários, será possível atender às necessidades específicas de cada grupo, tornando as ações mais eficazes.

Matsuo também discute a importância de parcerias entre escolas e órgãos técnicos, como a Defesa Civil, a fim de desenvolver planos de contingência adequados à realidade de cada instituição. Essas colaborações podem incluir desde palestras até projetos contínuos e integrados, envolvendo não apenas a escola, mas a comunidade como um todo.

No contexto das crianças, que são um dos grupos mais vulneráveis, a pesquisadora propõe abordagens que não gerem pânico, mas que preparem os alunos para entender e lidar com os riscos. Com medidas simples, como a construção de pluviômetros artesanais, as escolas podem engajar os alunos em atividades práticas que os ajudem a desenvolver uma consciência crítica sobre o clima e suas consequências.

Por fim, Matsuo destacou os aprendizados obtidos após sua atuação no Rio Grande do Sul, onde muitas escolas não estavam preparadas para desastres. Ela ressalta que, apesar das dificuldades, há lições valiosas que podem ser compartilhadas entre as instituições, e que um guia de proteção e defesa civil se tornou uma diretriz importante para a construção de planos de contingência adaptados às realidades locais. Isso demonstra que, mesmo em meio a um cenário desafiador, a educação pode ser uma ferramenta poderosa para promover a resiliência nas comunidades.

Correção em 26/10/2026: O título, o texto e o resumo foram ajustados para preservar a mensagem da pesquisadora: os desastres estão associados a processos sociais, desigualdades e vulnerabilidades. A versão anterior os classificava como naturais.

Resumo da notícia
Patrícia Mie Matsuo, professora da UFABC, defende que os desastres são processos sociais associados à desigualdade, à pobreza e à vulnerabilidade. Em entrevista à Agência FAPESP, a pesquisadora destaca a educação e a participação das comunidades como caminhos para a prevenção e a redução de riscos socioambientais. A proposta inclui integrar o tema às disciplinas escolares, incorporar o conhecimento local ao mapeamento de riscos e construir planos de contingência com apoio de órgãos como a Defesa Civil.
Resumo editorial produzido com apoio de inteligência artificial.
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