Agropecuária Mato Grosso do Sul

Uso de biocarvão no cultivo de agave aumenta biomassa em 60% no Brasil

Tecnologia acelera crescimento do agave, promissor na produção de biocombustíveis e sequestro de carbono no semiárido brasileiro

Uso de biocarvão no cultivo de agave aumenta biomassa em 60% no Brasil

O avanço no cultivo do agave com biocarvão representa uma solução sustentável para o semiárido brasileiro, ao aumentar a produtividade da planta e promover o sequestro de carbono. Para o produtor rural e o setor de biocombustíveis, essa tecnologia pode reduzir o tempo de cultivo e agregar valor econômico e ambiental à produção.

O agave, planta originária do México e cultivada no Brasil desde o início do século 20, é conhecido pela produção de fibra de sisal, além de ser matéria-prima para tequila, adoçantes e néctares. Atualmente, a planta também é vista como uma alternativa promissora para biocombustíveis e estratégias de sequestro de carbono, embora seu crescimento inicial seja lento, podendo durar até três anos até atingir um desenvolvimento acelerado.

Pesquisadores do Laboratório de Genômica e Bioenergia da Unicamp investigaram o uso do biocarvão — um material rico em carbono produzido pela pirólise da biomassa — para reduzir esse tempo e aumentar a biomassa do agave. Em testes com biochar produzido a partir de resíduos de cana-de-açúcar, café e até do próprio agave, os cientistas observaram um aumento de até 60% na biomassa da planta quando aplicado em doses moderadas, especialmente na faixa de 5% a 10% do volume do solo.

O biocarvão não só melhora a estrutura do solo, como também estimula a microbiota benéfica à planta, promovendo maior atividade enzimática que facilita a disponibilidade de nutrientes essenciais. Essa interação entre as raízes do agave e os microrganismos favorecidos pelo biochar cria um ambiente propício para o crescimento saudável da planta, acelerando seu desenvolvimento.

Além dos ganhos agrícolas, o biocarvão tem papel crucial no sequestro de carbono, oferecendo créditos ambientais que chegam a valores significativos no mercado internacional. Isso reforça seu potencial como ferramenta para mitigar as mudanças climáticas enquanto gera valor econômico para produtores e empresas do setor.

O estudo integra o Programa Brazilian Agave Development e recebeu apoio da FAPESP e da Shell Brasil, demonstrando o interesse do setor público e privado em impulsionar tecnologias sustentáveis para o semiárido brasileiro. Pesquisas futuras devem focar na otimização da produção de biochar, especialmente no desenvolvimento de reatores que evitem problemas técnicos, e no aprimoramento da interação entre biochar, solo e microbiota para maximizar o potencial do agave no Brasil.

Resumo da Notícia

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma técnica com biocarvão que potencializa em 60% a biomassa do agave, planta fundamental para a produção de sisal e biocombustíveis. O estudo, conduzido pela Unicamp, avaliou diferentes tipos de biocarvão obtidos a partir de cana, café e agave, aplicados em solos do semiárido, visando acelerar o crescimento da planta que naturalmente demora até três anos para se desenvolver plenamente. Além de favorecer o crescimento vegetal e a microbiota do solo, o uso do biocarvão contribui para o sequestro de carbono, gerando créditos ambientais valiosos. Essa inovação pode fortalecer a cadeia produtiva do agave no Brasil, maior produtor mundial de sisal, e impulsionar alternativas sustentáveis para o setor energético e ambiental.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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