Cidadania Brasil

Teste genético gratuito ajuda casais a planejar a chegada de filhos no Brasil

Iniciativa busca mapear genes associados a doenças hereditárias e criar banco de dados genético nacional.

Teste genético gratuito ajuda casais a planejar a chegada de filhos no Brasil

Essa iniciativa não só apoia casais a tomarem decisões informadas sobre a saúde de seus futuros filhos, mas também busca reduzir a lacuna de dados genéticos no Brasil, essencial para a medicina de precisão.

O Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) está prestes a lançar o projeto "Nossos Genes", que oferecerá testes genéticos gratuitos para casais que planejam ter filhos. O objetivo é identificar aqueles com risco aumentado de transmitir doenças genéticas de herança recessiva e a síndrome do X-Frágil, que é uma das principais causas de deficiência intelectual hereditária.

A iniciativa será realizada em colaboração com a Universidade de Brasília (UnB), além das universidades federais da Bahia (UFBA) e do Espírito Santo (UFES). A apresentação do projeto ocorreu durante a FAPESP Week Londres, pelo pesquisador Michel Satya Naslavsky. Ele ressaltou que os casais interessados poderão se inscrever voluntariamente para a triagem de genes, independentemente do histórico familiar.

Caso ambos os pais apresentem variantes patogênicas em um mesmo gene, com um risco total de 25% de conceber um filho afetado, receberão aconselhamento genético. O projeto também se propõe a criar um banco de dados genéticos robusto no Brasil, permitindo o mapeamento da frequência de doenças hereditárias e a elaboração de "calculadoras de risco". Essas ferramentas são essenciais para prever a chance de desenvolvimento de doenças comuns, como diabetes e hipertensão.

Atualmente, a maioria das pesquisas sobre genética utiliza dados de populações europeias, que não representam a diversidade genética brasileira. Naslavsky comparou a situação ao UK Biobank, que possui 90% de sua base composta por indivíduos de ancestralidade europeia, o que limita a aplicabilidade dos modelos de risco a populações miscigenadas como a brasileira.

A falta de dados sobre variantes genéticas não europeias torna a identificação de doenças raras significativamente mais difícil. Os pesquisadores acreditam que a criação de bancos de dados genéticos nacionais é crucial para garantir que a medicina de precisão tenha um impacto real no Sistema Único de Saúde (SUS).

O CEGH-CEL já havia dado um passo importante em 2017 com a criação do Arquivo Brasileiro Online de Mutações (ABraOM), que se tornou uma ferramenta valiosa para identificar variações genéticas comuns e inofensivas na população. O Ministério da Saúde, por sua vez, lançou em 2023 o projeto Genoma SUS, que visa sequenciar 50 mil genomas, ampliando ainda mais o conhecimento genético no Brasil.

Na visão de Naslavsky, a soberania sobre os dados genéticos é fundamental. Ele defende que os resultados das pesquisas devem beneficiar prioritariamente o SUS e a saúde pública. A geração de dados locais não apenas melhora os fluxos de diagnóstico, mas também abre possibilidades para novas descobertas científicas, que podem impactar não apenas o Brasil, mas o mundo inteiro.

O projeto "Nossos Genes" representa uma oportunidade ímpar de alavancar a genética brasileira, superando limitações atuais e promovendo um futuro mais saudável para as próximas gerações.

Resumo da Notícia

O projeto "Nossos Genes" oferecerá testes genéticos gratuitos para casais que desejam ter filhos, visando identificar riscos de doenças hereditárias. Iniciativa apoiada pela FAPESP busca criar um banco de dados genético do Brasil, permitindo a elaboração de calculadoras de risco adaptadas à diversidade genética da população. Com essa abordagem, espera-se melhorar a precisão dos diagnósticos e tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.