Tecnologia LiDAR reduz risco de quedas de árvores urbanas em SP
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão usando a tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging) para mapear a saúde de árvores urbanas e otimizar a poda, com o objetivo de reduzir o risco de quedas. Essa abordagem inovadora cria uma 'nuvem de pontos' que representa a estrutura da árvore em um modelo 3D, permitindo uma análise detalhada de suas fraquezas mecânicas.
O grupo de biólogos e engenheiros desenvolveu um algoritmo de poda baseado em otimização topológica. Essa técnica simula a ação do vento nas árvores, identificando quais galhos precisam ser removidos para redistribuir as tensões e fortalecer a planta. O projeto visa criar um aplicativo que auxilie os profissionais na execução de podas mais eficientes, tornando as árvores menos vulneráveis a ventos fortes.
O problema das quedas de árvores urbanas é alarmante, especialmente em áreas como a Grande São Paulo, onde ventos de mais de 90 km/h já causaram estragos significativos. Em dezembro de 2025, mais de 1.300 ocorrências de quedas de árvores foram registradas, resultando em feridos e interrupções no fornecimento de energia para milhões de moradores.
O coordenador do Laboratório de Fisiologia Ecológica de Plantas (Lafieco) da USP, Marcos Silveira Buckeridge, explica que podas mal planejadas tornam as árvores suscetíveis a quedas, especialmente em áreas urbanas onde os chamados túneis de vento amplificam a força do vento. A técnica de escaneamento LiDAR permite identificar quais partes da árvore estão mais vulneráveis e, assim, planejar uma poda que minimize esses riscos.
O estudo começou a partir de uma conversa entre Buckeridge e o engenheiro Emílio Carlos Nelli Silva, que sugeriu a modelagem matemática da poda para melhorar o equilíbrio das árvores. O trabalho foi apoiado pela FAPESP e contou com a colaboração de estudantes e especialistas.
Durante o escaneamento, uma tipuana no campus Butantã da USP foi analisada, resultando em uma nuvem de 30 milhões de pontos que representa com precisão a árvore. A partir desse modelo, os pesquisadores realizaram simulações para avaliar como a árvore responderia a diferentes direções de vento.
Os resultados indicam que uma poda mal calculada pode aumentar a fragilidade da árvore. O algoritmo desenvolvido permite uma remoção controlada de galhos, não ultrapassando 20% da árvore, focando nas áreas com maior flexibilidade mecânica. A equipe pretende expandir essa metodologia para outras espécies de árvores urbanas, sempre ressaltando que o trabalho humano na poda continua essencial.
Atualmente, a técnica LiDAR está sendo utilizada para catalogar as aproximadamente 650 mil árvores da cidade de São Paulo, embora ainda não tenha sido aplicada para orientar as podas. O grupo também está explorando a relação entre a saúde das árvores e fatores como a condição do solo e a presença de doenças.
Além disso, outros estudos estão em andamento para descobrir marcadores bioquímicos que possam indicar a vulnerabilidade das árvores a quedas, visando desenvolver um protocolo de diagnóstico mais abrangente. Com isso, a tecnologia LiDAR pode revolucionar a forma como as cidades gerenciam suas árvores, aumentando a segurança e a saúde das plantas urbanas.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.