Sensores Biodegradáveis da USP Detectam Pesticidas em Plantas em Minutos
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um sensor biodegradável capaz de detectar pesticidas em plantas em apenas três minutos. A inovação utiliza acetato de celulose, um material flexível e atóxico, permitindo que os dispositivos sejam aplicados diretamente em superfícies vegetais, como folhas e caules.
Os sensores, impressos em bioplásticos transparentes e flexíveis, medem não apenas a presença de pesticidas, mas também aspectos como temperatura, umidade e níveis de nutrientes. De acordo com Paulo Augusto Raymundo-Pereira, professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), essa tecnologia oferece uma abordagem rápida e não destrutiva para monitorar a saúde das plantas e condições ambientais.
Publicada na revista Biosensors and Bioelectronics: X, a pesquisa destaca que a engenharia de sensores vestíveis foi reconhecida pelo Fórum Econômico Mundial como uma das dez principais tecnologias emergentes de 2023. A maioria dos sensores atualmente disponíveis no mercado utiliza polímeros derivados do petróleo, o que torna a inovação da USP um grande passo em direção à sustentabilidade.
Com um custo de apenas US$ 0,077 por dispositivo, os sensores são descartáveis e devem ser acessíveis para uso em larga escala. Eles funcionam em meio aquoso, onde sua eficácia é maximizada, permitindo a detecção em superfícies irregulares com facilidade. O dispositivo é integrado a um potenciostato sem fio, que transmite os dados para um celular via Bluetooth, proporcionando análises em tempo real.
A aplicação prática da tecnologia foi testada em maçãs e pimentões, onde uma solução de pesticidas foi borrifada e as análises realizadas após cinco horas. Além de seu uso agrícola, os pesquisadores também exploram a possibilidade de detectar pesticidas em amostras de saliva e água potável, ampliando o potencial de uso dos sensores.
Essa proposta surgiu após o estágio de Raymundo-Pereira na Universidade da Califórnia, onde ele observou a aplicação de sensores em humanos. A equipe multidisciplinar responsável pelo desenvolvimento inclui pesquisadores de diferentes instituições, destacando a importância da colaboração na inovação científica. Com pedidos de patente já registrados, a expectativa é que a tecnologia contribua significativamente para a agricultura no Brasil, um setor essencial para a economia nacional.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.