Seminário Internacional Celebra Centenário de Milton Santos em São Paulo
O Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP) promoveu o seminário internacional “Milton Santos 100 anos: um geógrafo do século 21”, em homenagem ao centenário do geógrafo, que teria completado 100 anos no último dia 3 de maio. O evento, realizado em São Paulo, reúne pesquisadores, gestores e familiares para discutir o legado de um dos maiores intelectuais brasileiros e sua relevância no contexto atual.
Milton Santos, que faleceu em 2001, deixou um vasto acervo de ideias que continua a ser fundamental para compreender as transformações do mundo contemporâneo. O seminário é uma iniciativa conjunta do IEB-USP, do Programa de Pós-Graduação em Culturas e Identidades Brasileiras, e do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. O evento conta com o apoio da FAPESP, do CNRS da França, e outras instituições.
Na mesa de abertura, diversos representantes acadêmicos e políticos destacaram a importância do legado de Santos. O deputado federal Orlando Silva anunciou a destinação de R$ 400 mil para a preservação do acervo do geógrafo no IEB e a tramitação de um projeto de lei que reconhece sua obra no Livro dos Heróis da Pátria. Silva também mencionou um seminário a ser realizado na Câmara dos Deputados em maio, que irá lançar uma nova publicação com reflexões de Milton Santos sobre globalização e cidadania.
O presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, ressaltou a contribuição de Santos para a geografia crítica, que analisa o espaço como um resultado das relações sociais, econômicas e políticas. Zago recordou a criação da Praça Milton Santos no campus da USP, um espaço que simboliza a influência duradoura do geógrafo.
A mesa “Saudações ao Centenário” trouxe à tona relatos pessoais e acadêmicos sobre a vida de Santos, com a participação de Marie-Hélène Tiercelin Santos, sua esposa, e de Nina Santos, sua neta. Ambas destacaram a trajetória de Milton, marcada pelo exílio e pela busca por justiça social. Nina enfatizou a necessidade de reinterpretar as categorias geográficas na era digital, enquanto Marie-Hélène relembrou os desafios enfrentados pelo geógrafo durante sua vida.
Kabengele Munanga, professor emérito da USP, também se fez presente e falou sobre a relevância contínua das ideias de Milton Santos na luta contra as desigualdades sociais. Para Munanga, a obra de Santos permanece viva e necessária, especialmente em tempos de crescente discriminação e injustiça.
A geógrafa argentina María Laura Silveira, uma das colaboradoras mais próximas de Santos, fez a conferência de abertura, abordando a atualização da teoria do geógrafo. Silveira argumentou que a obra de Santos, embora histórica, é suscetível a atualizações em resposta às transformações contemporâneas.
O seminário, que se estende até 8 de maio, incluirá mesas-redondas e visitas guiadas ao acervo de Milton Santos no IEB. Além disso, a Agência FAPESP publicará uma edição especial dedicada ao centenário, com perfis biográficos e entrevistas, destacando a importância duradoura do geógrafo na formação do pensamento crítico no Brasil.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.