São Paulo Registra Aumento de Temperatura Superior à Média Global
As temperaturas em São Paulo têm registrado um aumento preocupante, superando a média global. Desde 1900, a temperatura média global subiu cerca de 1,2 °C, enquanto a capital paulista viu um aumento de 2,4 °C nas máximas diárias, que ocorrem em torno das 13h. Além disso, a temperatura mínima diária, geralmente registrada às 6h, apresentou um incremento de 2,8 °C. Esses dados foram apresentados em uma palestra de Humberto Ribeiro da Rocha, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, durante o evento “Eventos extremos de calor e água: Mitigando os efeitos adversos das mudanças climáticas na saúde das cidades”.
O fenômeno das ilhas de calor urbanas é um dos principais responsáveis por esse aumento, causado pela substituição da vegetação por materiais como asfalto e concreto. Em um estudo recente, Rocha e sua equipe analisaram dados de 70 cidades do Estado de São Paulo, utilizando informações de temperatura da superfície terrestre obtidas por satélites da NASA. Os resultados mostraram que, nas áreas urbanizadas mais críticas da Grande São Paulo, a temperatura de superfície pode atingir até 60 °C, enquanto áreas com maior cobertura vegetal mantêm temperaturas em torno de 25 °C.
Além disso, as análises indicaram que as áreas urbanizadas mais quentes tiveram temperaturas médias entre 7 °C e 12 °C superiores às zonas mais frias durante o verão. Essa disparidade é particularmente crítica em regiões com alta densidade populacional, onde as ilhas de calor são mais pronunciadas.
Os pesquisadores também estão monitorando o impacto das ondas de calor na Região Metropolitana de São Paulo. Com o apoio do projeto municipal “Sampa Adapta”, a equipe começou a medir a temperatura do ar em nível de rua, revelando que durante as ondas de calor, as tardes têm registrado temperaturas entre 30 °C e 34 °C, e à noite, por volta das 22h, os termômetros marcam 28 °C. Essa situação se agrava devido à falta de isolamento térmico em muitas edificações, que retêm o calor, tornando as noites ainda mais desconfortáveis.
Em resposta a essa crise climática, os pesquisadores sugerem a implementação de soluções baseadas na natureza (SbN) para resfriar o ar localmente. Estudos mostram que a vegetação pode proporcionar um efeito oásis, com temperaturas até 7 °C mais baixas em comparação às ruas urbanizadas. A revegetação urbana surge, assim, como uma solução viável e necessária para mitigar os efeitos extremos do calor na cidade.
O evento também destacou a importância da colaboração internacional, com a FAPESP e a Organização Neerlandesa para Pesquisa Científica (NWO) selando um compromisso de cooperação científica que já dura mais de uma década. Essa parceria visa promover pesquisas de alta qualidade e expandir as colaborações entre cientistas brasileiros e neerlandeses sobre os desafios climáticos enfrentados pelas cidades.
Com as mudanças climáticas se acelerando, a urgência de preparar as cidades para cenários de aquecimento extremo se torna cada vez mais evidente. O IPCC está prestes a lançar um relatório focado em cidades, ressaltando seu papel crítico na mitigação das mudanças climáticas e na proteção da saúde pública.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.