Robô budista brasileiro promete revolucionar experiências em museus da Coreia
Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, em colaboração com instituições do Canadá e da Coreia do Sul, desenvolveram um robô social inspirado em um bodhisattva, figura central no budismo. O protótipo, que se assemelha a uma escultura do século 7, está sendo testado em museus coreanos, prometendo enriquecer a experiência dos visitantes.
O robô, que mede 93 centímetros e permanece na posição sentada, é capaz de interagir com os usuários por meio de movimentos sutis de cabeça, tronco e braços. Ele reconhece gestos e fala, além de produzir música gerada por inteligência artificial, adaptada ao estado meditativo do usuário. Esses recursos foram projetados para proporcionar uma interação mais profunda e significativa com o patrimônio cultural.
André de Lima Salgado, professor da UFLA e coordenador da equipe, explica que o modelo foi desenvolvido como um teste para uma nova geração de sistemas de interação humano-robô, especialmente em contextos culturais e espirituais. A ideia é que esses robôs, diferente dos humanoides tradicionais, não imitem pessoas, mas sim representem figuras espirituais, incorporando elementos iconográficos e comportamentais que respeitam as tradições religiosas.
O robô é resultado de um processo cuidadoso de escaneamento digital e impressão 3D, que buscou reproduzir com precisão a escultura coreana designada como 'Tesouro Nacional nº 83'. O reconhecimento de gestos, especialmente os mudrās, foi uma parte crítica do desenvolvimento. Embora a tecnologia tenha alcançado um sucesso de 75% na identificação do gesto de proteção conhecido como abhaya mudrā, os pesquisadores estão cientes da importância da precisão cultural.
A abordagem do projeto é descentralizada, permitindo que cada comportamento do robô seja tratado como um nó independente que processa dados e gera ações. Esse modelo possibilita uma interação mais complexa e adaptável, ao contrário de arquiteturas centralizadas que podem se tornar frágeis.
Os pesquisadores também implementaram um modelo de linguagem leve, que opera localmente, sem depender de servidores externos. Com isso, o robô é capaz de realizar seu processamento de forma mais eficiente e segura. Além disso, um modelo de rede neural multimodal (CLIP) foi ajustado para reconhecer e classificar elementos da iconografia budista, demonstrando desempenho elevado na identificação de símbolos relevantes.
Embora o projeto tenha sido concebido para museus, há planos para expandir suas aplicações. Os pesquisadores consideram o uso da tecnologia em áreas como apoio emocional a agricultores, onde o estresse e o isolamento social são preocupações significativas. O futuro da robótica social, integrado com inteligência artificial e patrimônio cultural, pode levar a uma nova categoria de interfaces que não apenas executam tarefas, mas também interagem simbolicamente com humanos.
Próximos passos incluem a realização de estudos longitudinais em ambientes reais para avaliar o impacto psicológico e o engajamento dos usuários com o robô. O projeto recebeu apoio da FAPESP, através de um projeto temático relacionado à internet das coisas.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.