Pesquisa revela dificuldades no diagnóstico e terapias para autistas no Brasil
O Mapa Autismo Brasil, divulgado recentemente pelo Instituto Autismos, revelou que o acesso ao diagnóstico e tratamento para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) ainda é restrito no país. A pesquisa, que coletou mais de 23 mil entrevistas online entre março e julho de 2025, trouxe dados inéditos sobre o perfil e as condições de atendimento dos autistas brasileiros.
Embora cerca de 25% da população conte com planos de saúde, somente 20,4% dos diagnósticos foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A maioria depende da rede privada ou do pagamento particular para acessar terapias, que, em geral, apresentam carga horária insuficiente. Mais da metade dos entrevistados faz até duas horas semanais de terapia, muito abaixo do recomendado para intervenções multidisciplinares intensivas.
O estudo também mapeou características socioeconômicas e clínicas da população autista. Cerca de 72% têm até 17 anos, predominando o sexo masculino (65,3%). A renda familiar é variável, mas quase 30% vivem com até R$ 2.862 mensais. Entre as comorbidades mais frequentes estão o TDAH, transtornos de ansiedade e do sono. Em termos de comunicação, a maioria fala frases completas, porém uma parcela significativa utiliza comunicação aumentativa ou alternativa.
No que diz respeito à educação, 83,7% frequentam escola, mas quase 40% não recebem nenhum tipo de suporte inclusivo, como educador social ou adaptações pedagógicas. Isso evidencia a insuficiência da implementação das políticas públicas de inclusão escolar. Na vida adulta, quase 30% dos autistas entre 18 e 76 anos estão desempregados ou sem renda, um dado que ressalta os desafios para inserção no mercado de trabalho.
O diagnóstico costuma ocorrer mais cedo, com 51,7% até os 4 anos, porém a média geral é de 11 anos, indicando atrasos significativos em muitos casos. Familiares são os principais identificadores dos sinais iniciais, enquanto médicos e professores desempenham papéis menores nesse reconhecimento. Neurologistas são os especialistas mais frequentes na confirmação do diagnóstico.
Em relação às terapias, psicoterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia são as mais comuns, mas a oferta na rede pública é menor em comparação à privada. Os custos mensais variam amplamente, com alguns familiares investindo acima de R$ 1 mil por mês. A baixa carga horária semanal de terapias sugere limitações estruturais e financeiras que comprometem o tratamento adequado.
Esses dados evidenciam a urgência de ampliar o acesso a diagnóstico precoce e a terapias multidisciplinares, além de fortalecer políticas de inclusão social, educacional e laboral para pessoas autistas. O Instituto Autismos aponta que o cenário atual amplia vulnerabilidades e requer respostas eficientes das redes pública e privada para garantir direitos e qualidade de vida.
Os próximos passos incluem a utilização dessas informações para orientar políticas públicas e mobilizar setores envolvidos no atendimento e na proteção das pessoas com TEA em todo o Brasil.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.