Peptídeo de Rã do Cerrado Aumenta Vida Útil do Morango em Experimentos
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriram um novo método para prolongar a durabilidade do morango, utilizando um peptídeo isolado da pele de uma rã do Cerrado brasileiro. O estudo, que focou na variedade Oso Grande, demonstrou que o peptídeo Ctx(Ile 21)-Ha é capaz de preservar as características da fruta por um período significativo, algo inédito para morangos que são conhecidos por sua alta perecibilidade.
Em experimentos que duraram apenas cinco minutos de contato com a molécula, os morangos mantiveram suas propriedades físicas e químicas por até cinco dias. Segundo Eduardo Festozo Vicente, coordenador do Laboratório de Equipamentos Multiusuários da Unesp, esse tempo é considerado longo para a conservação do morango, que normalmente se deteriora rapidamente. O estudo ainda não explorou a ação antimicrobiana do peptídeo, mas os resultados iniciais são promissores.
Os testes realizados avaliaram parâmetros como pH, sólidos solúveis e textura, além de compostos bioquímicos, como fenóis totais e ácido ascórbico. Os resultados mostraram que o peptídeo não alterou o sabor da fruta e ajudou a reter os açúcares, que são altamente degradáveis por microrganismos. A pesquisa foi conduzida em condições controladas, simulando armazenamento em geladeira, o que representa a prática comum entre os vendedores de frutas.
Isolado em 2006 de uma rã do Cerrado (Boana albopunctata), o Ctx(Ile 21)-Ha possui propriedades antimicrobianas e é uma das várias moléculas que fazem parte do sistema defensivo do anfíbio. Originalmente, o grupo de pesquisa pretendia utilizar o peptídeo como aditivo na nutrição animal para reduzir a dependência de antibióticos, mas a pesquisa agora explora sua aplicação em alimentos.
Vicente destaca a importância do apoio da FAPESP, que possibilitou a obtenção e purificação do peptídeo. Com um grau de pureza acima de 95%, a substância é considerada segura para consumo, uma vez que é degradada como qualquer proteína pelo organismo. O próximo passo será a realização de estudos microbiológicos para entender melhor a ação do peptídeo e iniciar a produção em larga escala, possivelmente utilizando leveduras.
Embora o Ctx(Ile 21)-Ha ainda não tenha regulamentação no Brasil, o pesquisador acredita que a aprovação não deve ser um obstáculo, já que existem outros peptídeos comerciais em uso. O grupo já possui um pedido de patente para o uso do peptídeo em aves poedeiras e está em processo de patentear seu uso em ruminantes. Os pesquisadores também visam desenvolver uma película para envolver frutas, respeitando a legislação que limita o uso de aditivos em frutas consumidas sem casca. Essa inovação pode não apenas beneficiar a conservação de frutas, mas também reduzir o desperdício na cadeia produtiva.
Resumo da Notícia
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