ONU Mulheres Lança 10 Propostas para a Vida das Mulheres Antes das Eleições
A menos de 15 dias do primeiro turno das eleições, a ONU Mulheres no Brasil divulga o documento "10 Propostas pela Vida das Mulheres", direcionado a candidatos, partidos políticos e à sociedade. O objetivo é qualificar o debate sobre igualdade de gênero e fortalecer os compromissos com a inclusão feminina na política.
A iniciativa surge em um contexto alarmante: embora as mulheres representem 52,8% do eleitorado brasileiro, ocupam apenas 17,2% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 18,5% no Senado. Entre 2025 e 2026, o Brasil caiu da 133ª para a 139ª posição no ranking mundial de representação parlamentar feminina, superado por todos os países vizinhos da América do Sul. Embora o número de candidatas tenha crescido, com 36,6% das candidaturas à Câmara este ano, a conversão em mandatos ainda é baixa.
Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil, enfatiza que "não há democracia sem mulheres no poder". Segundo ela, as desigualdades que afastam as mulheres das decisões políticas estão interligadas a desafios como a sobrecarga de cuidados, a disparidade salarial e a violência. O documento apresenta propostas que buscam soluções práticas para esses problemas, refletindo dados que mostram que as mulheres dedicam em média 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados, enquanto os homens gastam apenas 11,7 horas.
Além disso, as mulheres enfrentam uma diferença salarial significativa, recebendo cerca de 21% menos que seus colegas homens nas empresas com mais de 100 funcionários. A violência de gênero também é alarmante, com uma em cada três mulheres sendo vítima ao longo da vida e um número preocupante de feminicídios registrados em 2025, onde 65,1% das vítimas eram negras e muitas foram mortas em suas próprias residências.
O documento da ONU Mulheres também aborda a questão climática. Durante a COP30, em Belém, as mulheres constituíram 44% das delegações nacionais, mas apenas 36% eram líderes. Nos ministérios de meio ambiente da América Latina, a representação feminina em cargos de direção é de apenas 7%, o menor índice do mundo. A Estratégia Transversal Mulheres e Clima, prevista no Plano Clima 2024-2035, é uma das ferramentas disponíveis para reverter esse quadro.
Gallianne destaca que as propostas são uma oportunidade para qualquer candidatura, independentemente de partido, assumir compromissos com a igualdade de gênero. "Quem pede o voto das mulheres precisa explicar o que fará por elas", afirma. A ONU Mulheres não apoia candidaturas ou partidos, mas busca fortalecer a participação política das mulheres e combater a violência política de gênero e raça no ciclo eleitoral de 2026.
Para mais informações, o documento completo está disponível no site da ONU Mulheres, onde os cidadãos podem conhecer as propostas e exigir ações concretas de seus representantes.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.