ONU alerta: instituições pela igualdade de gênero perdem poder em dois anos
Um alerta preocupante sobre a situação da igualdade de gênero foi emitido pela ONU, que revelou que uma em cada três instituições criadas para promover essa igualdade perdeu força nos últimos dois anos. O Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026, realizado pela ONU Mulheres e pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, revela uma tendência alarmante de retrocesso que ameaça reverter décadas de avanços conquistados na luta pela igualdade.
O estudo aponta que, em locais onde as mulheres detêm poder significativo, os resultados sociais e econômicos tendem a ser mais positivos, abrangendo áreas como paz, educação e combate à pobreza. No entanto, as instituições que sustentavam esses avanços estão sendo desmanteladas ou paralisadas em um momento crítico, quando o mundo não pode permitir retrocessos.
Dados do relatório indicam que um em cada três mecanismos institucionais voltados para a igualdade de gênero sofreu erosão, com cerca de 25% enfrentando cortes em seus orçamentos operacionais. Quase 10% dessas instituições perderam completamente o controle sobre seus recursos financeiros. Além disso, o financiamento destinado a iniciativas de igualdade de gênero atingiu o nível mais baixo desde 2021, afetando especialmente as organizações que defendem os direitos das mulheres.
A concentração de poder político continua a ser um fator preocupante, com seis em cada sete países sendo liderados por homens. As mulheres enfrentam barreiras sistêmicas que dificultam sua participação em cargos públicos, e os custos de candidatura podem ser exorbitantes, excluindo muitas antes mesmo do início da competição. Em várias nações, até 80% das mulheres que concorrem a cargos enfrentam violência e ameaças.
A diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, afirma que a evidência é clara: "quando as mulheres lideram, as sociedades se tornam mais fortes e resilientes". No entanto, enquanto o poder continuar concentrado em instituições que excluem as mulheres, o pleno potencial das sociedades não será alcançado. O relatório indica que, se a situação persistir, levará 171 anos para alcançar a igualdade de gênero.
Em um panorama que também se estende ao setor privado, as mulheres ocupam apenas 6% das posições de diretoria executiva globalmente, e menos de 20% dos cargos em tribunais superiores. Essas estatísticas evidenciam a necessidade urgente de mudança em um momento em que líderes globais se reúnem para a 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU.
O relatório conclui que não há futuro aceitável sem a participação equitativa de mulheres e meninas nas decisões que moldam o mundo. A ONU Mulheres e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU pedem uma reversão desse retrocesso político, enfatizando a necessidade de um compartilhamento mais justo do poder e um financiamento adequado para as instituições que promovem a igualdade de gênero. A mudança é urgente e deve ser priorizada para garantir um futuro mais igualitário e sustentável.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.