Oito novas espécies de mariposas homenageiam orixás no Brasil
O que antes era considerado uma única espécie de mariposa, conhecida como Eois russearia, agora revela-se um complexo de oito novas espécies, todas encontradas no Brasil. Essa significativa descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), que usaram uma combinação de técnicas moleculares e morfológicas para diferenciar as espécies.
As novas mariposas, com cerca de dois centímetros de envergadura, foram coletadas em regiões como a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica. Nomeadas em homenagem a orixás do candomblé e da umbanda, as espécies refletem um caráter anticolonial na ciência, desafiando a tendência de usar referências da cultura ocidental na nomenclatura de organismos.
Entre as novas espécies estão Eois iemanja e E. ibeji, encontradas nas margens do rio Mogi Guaçu, em São Paulo, e E. nanan e E. iogunede, coletadas no Pantanal, em Aquidauana (MS). A pesquisa também inclui E. oxumare, E. orumila e E. iroco, coletadas na Amazônia, além de E. stantonae, uma homenagem à pesquisadora Mariana Alves Stanton.
O estudo, publicado na revista Scientific Reports, destaca a importância de integrar diferentes abordagens para descrever a biodiversidade. Os pesquisadores enfatizam que a morfologia da genitália feminina e o registro das plantas hospedeiras das lagartas foram fundamentais para diferenciar as novas espécies, algo que muitas vezes é negligenciado em estudos anteriores.
Além de enriquecer o conhecimento sobre a biodiversidade de lepidópteros no Brasil, as novas descrições facilitam a compreensão das interações ecológicas entre as mariposas e as plantas do gênero Piper, que incluem a pimenta-do-reino. Essas interações podem ter implicações para a biotecnologia, dado o potencial de compostos secundários presentes nas plantas.
O estudo também sugere a possibilidade de existência de outras três espécies ainda não descritas no complexo. Apesar de não terem sido acessadas para análises morfológicas, sequências do gene COI depositadas em bancos de dados públicos oferecem pistas para futuras investigações.
Assim, a pesquisa não apenas revela a complexidade da biodiversidade no Brasil, mas também desafia percepções tradicionais sobre a distribuição de espécies em regiões tropicais, mostrando que áreas de baixa altitude, como a Mata Atlântica e o Pantanal, podem abrigar uma diversidade significativa de espécies, impulsionadas por interações ecológicas específicas.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.