Novo marcador VMD promete aprimorar prognóstico do câncer de estômago
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriram um novo marcador que pode revolucionar o prognóstico de pacientes com câncer de estômago, um dos tipos de câncer mais frequentes globalmente. O marcador, denominado VMD, que significa diferença de densidade entre gordura visceral e músculo, é gerado a partir de análises de tomografia computadorizada, um exame comumente realizado na rotina desses pacientes.
A pesquisa, conduzida pelo Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, em colaboração com o Instituto de Física Gleb Wataghin, foi financiada pela FAPESP. A equipe demonstrou que o VMD pode identificar quais pacientes estão em maior risco de evolução desfavorável da doença, complementando o estadiamento tradicional, que foca apenas nas características do tumor.
O estudo analisou dados de 461 pacientes com câncer gástrico atendidos ao longo de quase uma década. Os pesquisadores concentraram-se na musculatura da terceira vértebra lombar, uma área que reflete a condição muscular geral do corpo. Com isso, foi possível avaliar a relação entre a composição corporal e a evolução da doença, unindo informações sobre a radiodensidade do tecido adiposo e do músculo.
Os resultados indicaram que pacientes com níveis mais altos de VMD apresentaram piores prognósticos, com uma sobrevida mediana de apenas 13,8 meses em comparação com 58,5 meses para aqueles com valores mais baixos de VMD. Esses dados sugerem que o marcador pode servir como um indicador crucial para diferenciar os perfis de evolução clínica.
Os pesquisadores ressaltam que a inovação está na proposta de olhar para o paciente de forma holística, considerando sua composição corporal, ao invés de se concentrar apenas no tumor. Essa abordagem busca integrar a avaliação do estado metabólico e inflamatório do paciente, o que pode ser fundamental para personalizar o tratamento.
A aplicação de técnicas de inteligência artificial durante a pesquisa permitiu aos cientistas analisar grandes volumes de dados de maneira eficiente. Isso possibilitou a identificação de combinações que melhor separassem os grupos de pacientes em risco elevado e baixo risco, um passo importante para a medicina de precisão.
Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores alertam que o estudo é retrospectivo e requer validação em populações diferentes. O próximo objetivo é avaliar se mudanças na composição corporal durante o tratamento podem influenciar o prognóstico, um aspecto que ainda precisa ser explorado.
Com o VMD, espera-se que o tratamento de câncer gástrico se torne mais direcionado, permitindo que pacientes que não se beneficiariam de quimioterapia sejam poupados de tratamentos desnecessários. Essa abordagem pode não apenas melhorar os resultados clínicos, mas também a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.