Nova cápsula de celulose aumenta eficácia de fungo bioinseticida
Pesquisadores brasileiros anunciaram um avanço significativo na agricultura sustentável com o desenvolvimento de uma nova cápsula de celulose que melhora a vida útil do fungo Beauveria bassiana, um bioinseticida natural. A técnica, que utiliza microesferas feitas de carboximetilcelulose e alumínio, alcançou um aumento da viabilidade do fungo de 69% para 85% após cinco meses de armazenamento.
O estudo foi realizado por cientistas do Centro de Manejo Sustentável de Pragas, Doenças e Plantas Daninhas (CEMASU), vinculado ao Instituto Biológico e financiado pela FAPESP. Publicado na revista ACS Omega, o trabalho se destaca por abordar a perda de viabilidade dos microrganismos durante o armazenamento, um desafio crítico para o setor agrícola.
Hernane da Silva Barud, coordenador da pesquisa e professor da Universidade de Araraquara (Uniara), explicou que a técnica emprega um processo conhecido como gelificação ionotrópica. Nesse método, um material é gotejado em outro, formando microesferas que protegem o microrganismo, permitindo uma liberação gradual quando aplicado na lavoura.
O composto de carboximetilcelulose, comum na indústria alimentícia, foi combinado com íons de alumínio, que atuaram como um agente de estrutura. Os resultados mostraram que as esferas mantiveram a sua forma e uniformidade, enquanto outras formulações com cálcio apresentaram colapso estrutural.
A inovação é especialmente relevante, pois o Beauveria bassiana é um fungo que causa muscardina branca em diversos insetos-praga, como moscas, besouros e gafanhotos, sem prejudicar mamíferos. Com a nova formulação, espera-se uma diminuição na necessidade de aplicações, contribuindo para uma agricultura mais sustentável e menos dependente de pesticidas químicos.
Os pesquisadores planejam agora realizar ensaios em campo para verificar a eficácia do produto fora do ambiente controlado do laboratório. Além de seu uso em culturas agrícolas, a técnica pode ser aplicada também na pecuária, como no combate a carrapatos.
Se os testes em campo forem bem-sucedidos, Barud menciona que o processo de produção é escalonável, o que pode resultar em redução significativa de custos e viabilizar o produto comercialmente. Os próximos passos incluem testar o armazenamento em condições de geladeira e temperatura ambiente.
Essa pesquisa é um passo importante para a promoção de soluções biológicas no controle de pragas, destacando o potencial dos bioinseticidas como uma alternativa viável e menos prejudicial ao meio ambiente na agricultura moderna.
Resumo da Notícia
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