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Neutrófilos ajustam respostas imunológicas conforme estímulos distintos

Pesquisa revela caminhos bioquímicos variados que regulam defesa e inflamação nas células de defesa

Neutrófilos e resposta imune

Compreender como neutrófilos ajustam suas respostas a diferentes estímulos ajuda a aprimorar o diagnóstico e tratamento de doenças inflamatórias e autoimunes. Esse conhecimento pode orientar o desenvolvimento de terapias mais eficazes ao modular a ação dessas células, impactando diretamente a saúde pública e a qualidade de vida dos pacientes.



Microscopia eletrônica de varredura mostra neutrófilo estimulado com NETs e bactérias Shigella aprisionadas (imagem: Max Planck Institute for Infection Biology)





Bioquímica


Neutrófilos adotam diferentes estratégias de defesa conforme o estímulo




09 de janeiro de 2026





Estudo do Centro de Processos Redox em Biomedicina revela vias bioquímicas distintas que regulam a neutralização de patógenos e as respostas inflamatórias



Agência FAPESP * – Os neutrófilos são a primeira linha de defesa do organismo contra patógenos como vírus, bactérias e fungos, além de desempenharem um papel significativo na regulação da resposta inflamatória. Para neutralizar ameaças, eles empregam vários mecanismos, como degranulação, fagocitose e a liberação de armadilhas extracelulares (NETs), estruturas formadas por DNA e proteínas microbicidas.



Pesquisadores do Centro de Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma) liderados por Graziella Eliza Ronsein, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), investigaram como os neutrófilos respondem a dois ativadores bem conhecidos – PMA e ionomicina – e descobriram que a ativação acontece por vias bioquímicas diferentes. Os resultados mostram que essas células modulam sua resposta imunológica conforme o estímulo recebido.



O Redoxoma é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP e sediado no IQ-USP.



“Na literatura, todos os estímulos que os neutrófilos recebem são tratados da mesma forma, como se toda reação do neutrófilo fosse a mesma. Nosso estudo mostra que eles reagem de forma diferente dependendo do estímulo e as consequências dessas respostas parecem ser bem diferentes também”, explica Ronsein.



As reações distintas podem ter implicações relevantes para a compreensão de doenças inflamatórias e autoimunes. “Observamos que os peptídeos citrulinados gerados pela ativação dos neutrófilos com ionomicina são muito semelhantes aos que se formam quando os neutrófilos interagem com certas toxinas bacterianas específicas. E muitos desses peptídeos são encontrados atuando como autoantígenos envolvidos em doenças autoimunes, como a artrite reumatoide”, afirma Rafaela Oliveira Nascimento, doutoranda do IQ-USP e bolsista da FAPESP.



O estudo foi publicado na revista científica Redox Biology.



Estratégias de defesa



Uma estratégia bem conhecida da resposta imune envolve a produção rápida e em grande quantidade de espécies reativas. Durante a infecção, os neutrófilos são recrutados para o local afetado e ativam a enzima NADPH oxidase, que gera o radical superóxido. Esse radical é um precursor do peróxido de hidrogênio e de outras espécies reativas formadas pela mieloperoxidase.



No entanto, os pesquisadores descobriram que apenas os neutrófilos ativados por PMA geram espécies reativas, enquanto aqueles estimulados por ionomicina não produzem essas moléculas.



A degranulação, outro mecanismo de defesa essencial, envolve a liberação de grânulos contendo enzimas citotóxicas. A análise proteômica revelou que, enquanto o PMA provoca degranulação leve, a ionomicina induz degranulação maciça de grânulos primários e secundários.



Em um estudo anterior, os pesquisadores desenvolveram um método para isolar os grânulos dos neutrófilos a partir de um pequeno volume de sangue e forneceram a caracterização proteômica dessas organelas.



Outra estratégia antimicrobiana crucial é a formação de armadilhas extracelulares de neutrófilos (NETs). Conforme os neutrófilos liberam NETs, eles passam por uma forma de morte celular conhecida como “NETose”, que pode ser desencadeada por vários estímulos.



O estudo mostrou que tanto PMA quanto ionomicina induzem a formação de NETs, mas com diferenças significativas. A microscopia de células vivas revelou que a formação de NETs desencadeada por ionomicina ocorre muito mais rápido do que a induzida por PMA, indicando mecanismos distintos.



Citrulinação



A pesquisa também revelou um extenso processo de citrulinação de proteínas em neutrófilos ativados por ionomicina, incluindo componentes essenciais do citoesqueleto, do núcleo e da NADPH oxidase. Segundo Nascimento, a citrulinação de componentes da NADPH oxidase poderia explicar a inativação da enzima e a ausência de produção de superóxido em neutrófilos ativados por ionomicina.



A ionomicina provoca o aumento da concentração de cálcio intracelular, levando à ativação de uma enzima chamada PAD4, que converte resíduos de arginina em citrulina. Essa modificação nas proteínas é chamada de citrulinação.





Os ativadores ionomicina e PMA atuam de formas diferentes nos mecanismos de defesa empregados pelos neutrófilos em processos infecciosos (gráfico: Redoxoma/IQ-USP)



Como próximo passo, os pesquisadores planejam investigar como os neutrófilos respondem a estímulos mais brandos, como os fisiológicos, fornecendo melhor compreensão sobre a regulação imunológica. “A ionomicina é um estímulo muito forte que remodela rapidamente as proteínas intracelulares”, diz Ronsein.



O artigo Investigating neutrophil responses to stimuli: comparative analysis of reactive species-dependent and independent mechanisms pode ser lido em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2213231725000539.



* Com informações de Maria Celia Wider, do Redoxoma.

Resumo da Notícia

Um estudo conduzido pelo Centro de Processos Redox em Biomedicina da USP mostrou que neutrófilos, células essenciais da resposta imune, adotam diferentes estratégias para combater patógenos dependendo do tipo de estímulo recebido. Enquanto um ativador induz a produção de espécies reativas e liberação leve de enzimas, outro provoca uma reação rápida com degranulação intensa e modificações proteicas específicas, como a citrulinação. Essas descobertas indicam que os neutrófilos modulam suas ações de acordo com os desafios apresentados, o que pode influenciar a compreensão de doenças inflamatórias e autoimunes. O estudo também destaca a importância da formação das armadilhas extracelulares (NETs) e suas variações temporais conforme o estímulo. Os pesquisadores pretendem aprofundar a análise das respostas dos neutrófilos a estímulos menos agressivos para ampliar o conhecimento sobre a regulação imunológica.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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