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Nervo simpático pode revolucionar tratamento da sepse, diz estudo

Pesquisa da USP revela que nervo esplâncnico regula neutrófilos e abre caminho para terapias personalizadas

Avanços no combate à sepse

A descoberta do papel do nervo esplâncnico maior na regulação da resposta imunológica durante a sepse pode transformar o tratamento dessa condição grave. Ao possibilitar terapias personalizadas que modulam a inflamação de forma precisa, há potencial para reduzir complicações e melhorar a recuperação dos pacientes, impactando positivamente a saúde pública e os custos hospitalares associados.



Objetivo dos cientistas é alcançar tratamentos que maximizem a eficácia da resposta imune e minimizem danos colaterais (imagem: Scientific Animations/Wikimedia Commons)





Biomedicina


Pesquisa revela papel crucial do nervo simpático na resposta imunológica da sepse




23 de janeiro de 2026





Estudo do Instituto de Ciências Biomédicas da USP com apoio da FAPESP abre caminho para terapias personalizadas e mais eficazes



Agência FAPESP – Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), liderados por Alexandre Steiner, coordenador do Laboratório de Neuroimunologia da Sepse do Departamento de Imunologia, realizaram estudo que revela que o nervo simpático, especialmente sua ramificação conhecida como nervo esplâncnico maior, desempenha um papel fundamental na resposta imunológica. Essa ramificação regula seletivamente subgrupos de neutrófilos, células essenciais para a defesa do organismo, encarregadas de combater e eliminar patógenos durante infecções graves (leia mais em: agencia.fapesp.br/56901).



A descoberta é parte de um Projeto Temático financiado pela FAPESP. O estudo foi publicado em artigo na revista científica Brain, Behavior, and Immunity.



Durante a pesquisa, experimentos com modelos animais demonstraram que o nervo esplâncnico maior regula de forma seletiva os neutrófilos. Essas células, a primeira linha de defesa do sistema imunológico, são responsáveis por atacar e destruir patógenos como bactérias e fungos.



Os testes mostraram que a interrupção da comunicação desse nervo aumentou significativamente a eficácia de um subgrupo de neutrófilos ativados, especialmente no peritônio e no baço. Além disso, a remoção do nervo reduziu a presença de neutrófilos quiescentes, que possuem características imunossupressoras, sem interferir em outras funções do sistema imunológico, como as desempenhadas pelos macrófagos. Conhecidos como “zeladores” do organismo, os macrófagos ajudam a controlar a inflamação ao remover detritos celulares, entre outras funções.



Utilizando tecnologias avançadas, como o sequenciamento de RNA de célula única, os pesquisadores identificaram mudanças específicas nas subpopulações de neutrófilos associadas à modulação pelo nervo esplâncnico. Esses achados ressaltam o potencial desse nervo como alvo para futuras terapias personalizadas no tratamento da sepse.



“Essa descoberta desafia o conceito tradicional de regulação generalizada pelo sistema nervoso. Mostramos que o nervo esplâncnico maior atua como um ‘potenciômetro’, ajustando de forma precisa a resposta imune no local da infecção. Isso pode abrir caminho para terapias personalizadas que maximizem a eficácia da resposta imune e minimizem danos colaterais”, explicou Steiner à Assessoria de Imprensa do ICB-USP.



Impactos futuros



Uma das implicações mais promissoras do estudo é o uso da bioeletrônica para modular de forma localizada o nervo simpático e influenciar a resposta inflamatória. Contudo, desafios importantes permanecem, como a necessidade de desenvolver ferramentas rápidas para identificar os fenótipos específicos dos pacientes, algo essencial para personalizar os tratamentos.



“Hoje, exames como análises ômicas e expressão gênica levam semanas para serem concluídos, o que é incompatível com a dinâmica da sepse, que pode mudar drasticamente em poucas horas. Precisamos de métodos que forneçam resultados em tempo real, utilizando biomarcadores rápidos e sistemas automatizados de análise”, ressaltou o professor do ICB.



A sepse ocorre quando a resposta imune se torna excessiva ou persistente mediante sua ineficácia em eliminar um patógeno, levando a danos colaterais que podem comprometer órgãos vitais e causar falência múltipla. É uma condição complexa, com sintomas variados como febre alta, hipotermia, confusão mental e queda de pressão arterial. Embora considerada uma síndrome única, a sepse apresenta diferentes padrões de resposta, que reagem de forma distinta às terapias, tornando seu tratamento um desafio clínico significativo.



Desde o início do projeto, a equipe de pesquisadores tem avançado na compreensão da sepse. Entre os destaques, está a descoberta de um eixo de comunicação entre o baço e o fígado, mediado pelo leucotrieno B4 (LTB4). Essa molécula age como um mensageiro químico, ajudando o baço a enviar sinais ao fígado para regular a intensidade da inflamação, um mecanismo essencial para coordenar a resposta inflamatória sistêmica. Esses avanços culminaram na identificação do papel seletivo do nervo esplâncnico maior na modulação de respostas imunológicas específicas.



“Entender como órgãos diferentes interagem para controlar a inflamação sistêmica amplia nosso conhecimento sobre a sepse e pode abrir novas perspectivas para o tratamento de outras condições inflamatórias graves”, concluiu Steiner.

Resumo da Notícia

Um estudo conduzido pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP identificou o papel essencial do nervo esplâncnico maior na modulação da resposta imunológica durante a sepse. A pesquisa demonstrou que essa ramificação do nervo simpático ajusta seletivamente subgrupos de neutrófilos, células-chave na defesa contra infecções graves, aumentando a eficácia do sistema imune e reduzindo células com efeito imunossupressor sem afetar outras funções importantes, como as dos macrófagos. Utilizando tecnologias avançadas, os resultados apontam para o potencial de desenvolver tratamentos personalizados e bioeletrônicos que modulam essa via neural, otimizando a resposta inflamatória e minimizando danos colaterais. Os cientistas ressaltam a necessidade de métodos rápidos para identificar perfis imunes dos pacientes, fundamentais para aplicar terapias eficazes diante da rápida evolução da sepse. Essa descoberta amplia o entendimento das interações entre órgãos e o sistema nervoso, oferecendo novas possibilidades para combater doenças inflamatórias graves.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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