Museu do Ipiranga usará tecnologia do Coliseu de Roma para conservação
A partir de julho, o Museu do Ipiranga em São Paulo dará início a um projeto inovador de conservação, utilizando a mesma tecnologia de escaneamento a laser 3D que vem sendo aplicada no Coliseu de Roma. Apresentado pela professora Beatriz Kuhl da FAU-USP durante a FAPESP Week Londres, o projeto visa escanear o edifício por dentro e por fora, a fim de compreender o comportamento da estrutura após as recentes obras de restauração.
A iniciativa tem como objetivo criar um modelo digital integrado do museu, que permitirá a implementação de um sistema de gestão de informações para conservação preventiva, seguindo a metodologia HBIM (Historic Building Information Modelling). Essa abordagem fornece uma representação tridimensional do edifício, integrando dados sobre suas características físicas e sistemas, o que é vital para um monitoramento eficaz.
O escaneamento será realizado pelo laboratório Diaprem da Universidade de Ferrara, na Itália, que já possui experiência na conservação de edifícios históricos, incluindo o próprio Museu do Ipiranga antes das obras. A continuidade dessa colaboração é vista como estratégica, pois garante a consistência e precisão dos dados coletados, permitindo comparações significativas ao longo do tempo.
O equipamento utilizado é compacto e portátil, emitindo raios laser que mapeiam detalhadamente as superfícies do museu. Além de capturar a geometria, o escâner também mede a refletância, permitindo identificar anomalias que possam indicar problemas estruturais. Beatriz Kuhl destaca a importância desse detalhamento: "Se o escaneamento for bem planejado, ele pode gerar resultados muito precisos, fundamentais para a conservação do patrimônio".
Os trabalhos de escaneamento serão realizados de forma a não interromper as atividades do Museu do Ipiranga, que reabriu ao público em setembro de 2022 após uma década fechado para reformas. A previsão é que o escaneamento ocorra de maneira gradual, assegurando que a rotina do museu não seja afetada.
Esse projeto faz parte de um esforço maior da FAU-USP em promover a conservação preventiva, que visa evitar intervenções invasivas e dispendiosas. Beatriz Kuhl faz um paralelo com experiências bem-sucedidas, como a Casa de Rui Barbosa, onde políticas de conservação preventiva têm sido implementadas com êxito. Ela ressalta que a mudança na abordagem de manutenção do patrimônio público é um desafio, mas fundamental para a preservação efetiva de edifícios históricos.
Com a adoção dessa tecnologia avançada, o Museu do Ipiranga não apenas se alinha a práticas contemporâneas de conservação, mas também se posiciona como um modelo para futuras iniciativas de preservação do patrimônio cultural brasileiro.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.