Morre Fernando Novais, referência na historiografia do capitalismo no Brasil
O historiador Fernando Antonio Novais faleceu em São Paulo na última quinta-feira, 30 de abril, deixando um legado inestimável na historiografia brasileira. Professor aposentado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE-Unicamp), Novais se destacou principalmente por sua obra 'Portugal e Brasil na crise do antigo sistema colonial (1777-1808)', resultado de sua tese de doutorado defendida em 1973.
Com essa obra, ele revolucionou a maneira como o Brasil é visto dentro da história do capitalismo, enfatizando que o país deve ser considerado parte integral desse processo, e não apenas uma extensão das transformações ocorridas na Europa. Francisco Alambert, professor do Departamento de História da FFLCH-USP e discípulo de Novais, destaca a importância dessa visão, que provocou debates e divergências, mas também solidificou a relevância do trabalho de Novais na cultura brasileira.
Novais foi um dos membros do célebre grupo de leitura de 'O Capital', que também contava com figuras proeminentes como Fernando Henrique Cardoso, José Arthur Giannotti e Roberto Schwartz. Em entrevista à revista Pesquisa FAPESP em 2022, ele refletiu sobre a evolução de seus colegas, muitos dos quais abandonaram a perspectiva marxista. Apesar das mudanças, ele permaneceu fiel aos seus princípios, afirmando: "Sou e pretendo ser um historiador marxista".
O historiador também se deixou influenciar pela Nova História, um movimento que emergiu nos anos 1980 em contraposição à tradição marxista. Laura de Mello e Souza, professora aposentada da FFLCH-USP e orientanda de Novais, mencionou que, embora ele tivesse críticas ao movimento, suas contribuições foram significativas, resultando na co-organização do volume inaugural da coleção 'História da vida privada no Brasil'.
Adeptos e alunos destacam não apenas a profundidade de seu conhecimento, mas também suas habilidades como educador. Maria Arminda do Nascimento Arruda, professora da FFLCH-USP, ressalta que Novais era um professor admirado e muito respeitado entre os estudantes. Sua erudição abrangia literatura, arte e sociologia, o que o tornava um intelectual completo.
Por fim, Novais enfrentava críticas por sua produção recente, ao que respondia citando Jorge Luis Borges: "Ler, entretanto, é uma atividade posterior à de escrever: mais resignada, mais atenciosa, mais intelectual", uma frase que reflete sua compreensão do papel do historiador na sociedade. Sua contribuição ao entendimento da história do Brasil no contexto global do capitalismo será lembrada por muitos anos.
Resumo da Notícia
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