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Lagarta que ataca soja e algodão revela fungos que degradam isopor

Estudo da UFSCar destaca potencial de microrganismos no intestino da lagarta para combater poluição plástica.

Lagarta que ataca soja e algodão revela fungos que degradam isopor

A descoberta de fungos degradadores de isopor no intestino da lagarta Helicoverpa armigera pode abrir novas possibilidades para o combate à poluição plástica. Com o crescente desafio ambiental, a pesquisa oferece um caminho inovador para a biotecnologia, visando a degradação eficiente de materiais difíceis de reciclar.

Cientistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) descobriram que a lagarta Helicoverpa armigera, uma praga significativa para as plantações de soja e algodão, abriga em seu intestino microrganismos capazes de degradar poliestireno expandido, conhecido popularmente como isopor. Esta pesquisa, publicada na revista BMC Microbiology, revela o potencial biotecnológico da microbiota intestinal de insetos na luta contra a poluição plástica.

O estudo, liderado pelo professor Flavio Henrique Silva da UFSCar, em colaboração com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), analisou a microbiota intestinal da lagarta-do-algodão e como ela reage ao consumo de isopor. Os pesquisadores identificaram quatro tipos de fungos no intestino da lagarta, os quais demonstraram a capacidade de decompor o poliestireno, um material que, até então, não tinha sido amplamente explorado em pesquisas sobre degradação de plástico.

Durante os experimentos, as lagartas foram alimentadas com diferentes dietas, incluindo uma composta apenas de isopor. A análise da microbiota revelou que a diversidade de fungos no intestino variava conforme a dieta. Enquanto a levedura Diutina estava presente em todos os grupos, sua abundância diminuiu nas lagartas que consumiram poliestireno, permitindo o surgimento de gêneros como Aspergillus e Talaromyces, que parecem se adaptar ao novo alimento.

Os cientistas isolaram os fungos identificados e testaram sua capacidade de crescer sobre uma película de poliestireno. A análise microscópica mostrou que esses fungos não apenas cresceram, mas também alteraram a superfície do polímero, o que indica que estavam utilizando o material como fonte de carbono.

Além da Helicoverpa armigera, outros insetos também foram estudados pelo grupo, como o besouro Sphenophorus levis, que possui microrganismos com potencial para degradar isopor. Os pesquisadores estão se aprofundando na análise das fezes desses insetos para entender se o processo resulta apenas na formação de micro ou nanoplásticos ou na completa decomposição do material.

O professor Silva ressalta que o objetivo é desenvolver uma coleção de microrganismos que possam ser utilizados para a degradação do poliestireno e introduzi-los em insetos como o tenébrio gigante, criando uma solução biológica para o problema da poluição plástica. Essa abordagem inovadora pode transformar esses insetos em aliados no combate ao acúmulo de plásticos no meio ambiente, oferecendo uma alternativa promissora para a sustentabilidade.

Resumo da Notícia

Uma pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) identificou fungos capazes de degradar poliestireno expandido no intestino da lagarta Helicoverpa armigera, uma praga do agronegócio. Os resultados, publicados na revista BMC Microbiology, trazem novas perspectivas para reduzir a poluição plástica, já que o isopor é um material difícil de reciclar. Os cientistas destacam a importância de estudar a microbiota intestinal de insetos como fonte para o desenvolvimento de soluções biotecnológicas.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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