Inteligência Artificial Mapeia Telas Antigranizo em Pomares de Maçã no Brasil
A proteção de pomares de maçã contra eventos climáticos extremos, como o granizo, tem se tornado uma prioridade para os produtores rurais. Um estudo inovador do Semear Digital, centro apoiado pela FAPESP, mostra que a combinação de imagens de satélite e inteligência artificial é capaz de mapear eficientemente as telas antigranizo que cobrem esses pomares. Essa tecnologia pode ser fundamental para oferecer dados que apoiem a agricultura na adaptação a climas cada vez mais severos.
O desafio de identificar as telas antigranizo em imagens de satélite reside em sua natureza translúcida, que dificulta sua detecção. Pesquisadores da Embrapa Agricultura Digital, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Embrapa Uva e Vinho utilizaram dados dos satélites Sentinel-2 e Harmonized Landsat and Sentinel (HLS) para realizar esse mapeamento na região de Vacaria, no Rio Grande do Sul, um dos principais polos de produção de maçã do Brasil. O estudo revelou a capacidade não apenas de identificar a presença das estruturas, mas também de diferenciar entre telas brancas e pretas com alta precisão.
Édson Bolfe, pesquisador do Semear Digital, explica que a pesquisa surgiu de uma necessidade real do setor agrícola. “Os produtores já percebiam um aumento na área coberta por telas, mas careciam de dados precisos sobre sua localização e extensão. Nossa pesquisa visa criar uma metodologia para gerar essa informação em escala regional”, afirma Bolfe.
A pesquisa destaca a dificuldade em mapear essas estruturas, uma vez que as telas antigranizo permitem que a vegetação abaixo delas continue visível nas imagens de satélite. Segundo a pesquisadora Danielle Furuya, a metodologia desenvolvida ajuda a superar esse desafio, alterando sutilmente a resposta espectral da vegetação, o que é crucial para o sensoriamento remoto.
Durante a pesquisa, a equipe coletou 647 pontos georreferenciados em Vacaria, abrangendo diversos tipos de uso da terra, incluindo pomares de maçã. Utilizando algoritmos de aprendizado de máquina, como Random Forest e redes neurais convolucionais, os pesquisadores conseguiram identificar padrões de refletância e mapear as áreas de cultivo com e sem telas antigranizo.
A frequência de eventos climáticos extremos, como tempestades de granizo, tem aumentado significativamente. Em janeiro de 2025, foram registradas mais de 600 tempestades no Brasil, um crescimento alarmante de 295% em relação ao ano anterior. Esse aumento tem levado os produtores a investir cada vez mais em telas antigranizo, uma medida que pode evitar perdas de até 50% na produção em casos severos.
Os resultados desse estudo têm implicações práticas importantes para o setor agrícola. Mapas atualizados sobre a distribuição das telas podem ajudar associações de produtores e órgãos de assistência técnica a avaliarem riscos climáticos e planejarem melhor a produção. “Compreender onde estão os pomares protegidos nos permite avaliar melhor os impactos de eventos de granizo na produção regional”, conclui Bolfe.
O artigo completo sobre essa pesquisa pode ser acessado na revista Remote Sensing, destacando a importância da tecnologia digital na agricultura moderna e sua capacidade de auxiliar na adaptação às mudanças climáticas.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.