Inovação em Água Potável: Sistema Brasileiro Gera Água do Ar com Fibras Recicladas
Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em parceria com o Instituto Granado de Tecnologia da Poliacrilonitrila (IGTPAN), desenvolveu um sistema inovador que transforma a umidade do ar em água potável. Utilizando um polímero superabsorvente produzido a partir de resíduos têxteis reciclados, o dispositivo é capaz de gerar entre 4 e 6 litros de água por dia com um consumo energético relativamente baixo.
O sistema é composto por módulos chamados hidrocélulas, que funcionam como esponjas, retendo vapor de água da atmosfera. Esse vapor é posteriormente convertido em água líquida através de um processo de aquecimento moderado. A tecnologia, descrita na revista NPJ Clean Water, surge como uma alternativa viável para o abastecimento de água em regiões áridas, onde as fontes convencionais são escassas ou caras.
A pesquisadora Valquiria Campos, da Unesp, destaca que a abordagem pode ser crucial para grandes cidades que enfrentam desafios de abastecimento, como Lima, no Peru, uma das maiores metrópoles do mundo localizada em um deserto. A pesquisa enfatiza a importância de soluções sustentáveis que utilizem o reservatório atmosférico disponível em todo o planeta.
O polímero utilizado no sistema, denominado PANSAP, é obtido através da reciclagem de fibras de poliacrilonitrila, amplamente utilizadas na indústria têxtil. O processo envolve a hidrólise alcalina do material, resultando em um superabsorvente altamente eficaz. Cada grama do polímero pode absorver entre 200 e 300 gramas de água, demonstrando eficiência notável na captura de umidade.
Além de reduzir a geração de resíduos, a tecnologia também recupera o amoníaco liberado durante a produção do polímero, transformando-o em um fertilizante agrícola. Campos ressalta que essa abordagem não apenas melhora o desempenho ambiental, mas também torna o processo economicamente viável em comparação com outras tecnologias que utilizam materiais mais caros.
Embora outros sistemas, como os baseados em estruturas cristalinas porosas (MOFs), demonstrem alto desempenho em laboratório, sua produção em larga escala é inviável devido ao custo elevado. Em contraste, a produção do PANSAP é estimada em apenas US$ 2,50 por quilo, tornando a tecnologia acessível para comunidades que necessitam de soluções emergenciais de abastecimento de água.
O sistema pode operar de maneira autônoma, utilizando energia solar para aquecer as placas que contêm o polímero. Durante os testes, a configuração híbrida com painéis solares foi capaz de suprir toda a energia necessária para o funcionamento do equipamento em condições de pleno sol.
Os pesquisadores estão se preparando para um teste de campo em Lima, onde a comunidade enfrenta desafios na captação de água. A tecnologia já avançou para uma fase aplicada e promete expandir sua capacidade de produção, permitindo que sistemas maiores possam atender pequenas comunidades com volumes suficientes de água potável.
Com uma estimativa de vida útil superior a dez anos e a capacidade de operar por mais de 2.500 ciclos de adsorção e dessorção, a tecnologia se posiciona como uma solução inovadora e sustentável para o abastecimento de água em regiões carentes, alinhando-se ao conceito de economia circular ao transformar resíduos em recursos valiosos.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.