Grandes mamíferos da Mata Atlântica aumentam fertilidade do solo
Um estudo recente publicado na revista Ecological Monographs destaca a importância dos grandes mamíferos na fertilidade do solo da Mata Atlântica. Realizada por pesquisadores do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), a pesquisa aponta que animais como queixadas, antas, catetos e veados desempenham um papel fundamental na alteração da química do solo e na ciclagem de nutrientes.
Esses mamíferos vivem em grandes grupos, com queixadas podendo formar bandos de até cem indivíduos. Durante suas atividades diárias, eles revolvem o solo em busca de alimentos, como frutos e sementes, e, ao fazer isso, influenciam diretamente a composição química da serrapilheira e do solo. Letícia Gonçalves Ribeiro, primeira autora do estudo, explica que a interação desses animais com o ambiente resulta em solo menos ácido e com maior disponibilidade de nutrientes, como cálcio, essenciais para o crescimento das plantas.
Os pesquisadores realizaram comparações entre áreas com e sem a presença desses mamíferos para entender seu impacto. Os resultados mostraram que o solo em áreas onde os grandes herbívoros circulam livremente apresenta menor acidez e maior equilíbrio de nutrientes, o que é crucial para a fertilidade do solo. A presença de alumínio, que pode ser prejudicial em altas concentrações, foi reduzida nas áreas frequentadas pelos mamíferos, indicando um solo mais saudável.
Além disso, o estudo observou que a serrapilheira nas áreas onde esses animais estavam presentes tinha uma composição mais diversificada, com menor presença de lignina, uma substância que dificulta a decomposição. O pisoteio e a movimentação dos mamíferos ajudam a fragmentar e distribuir a serrapilheira, facilitando sua decomposição e, consequentemente, o retorno de nutrientes ao solo.
O projeto que originou essa pesquisa é parte de um experimento de longo prazo, que começou em 2009 na Serra do Mar. Os pesquisadores monitoraram a biomassa de mamíferos utilizando armadilhas fotográficas e compararam parcelas de solo abertas e cercadas. Os dados já haviam revelado anteriormente que a ausência de grandes mamíferos leva a uma diminuição na diversidade de plantas e altera as dinâmicas ecológicas da floresta.
Atualmente, Letícia Ribeiro está ampliando sua pesquisa para incluir o efeito dos grandes mamíferos sobre os nematoides, organismos microscópicos que são indicadores da saúde do solo. Os primeiros resultados sugerem que a presença desses herbívoros aumenta a abundância de nematoides predadores, sinalizando um ecossistema mais equilibrado.
Com a crescente ameaça à biodiversidade da Mata Atlântica, a pesquisa reforça a necessidade de proteção desses animais, que são vitais para a manutenção da fertilidade do solo e da saúde do ecossistema. O estudo completo pode ser acessado na plataforma da Wiley Online Library.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.