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Extrato de casca de romã mostra eficácia contra feridas resistentes

Pesquisa da Unicamp destaca potencial antimicrobiano para curativos inovadores e sustentáveis

Avanço no combate a infecções

O desenvolvimento de extratos naturais com ação antimicrobiana pode representar uma alternativa eficaz e sustentável para tratar feridas infectadas, especialmente diante do aumento da resistência bacteriana. Além de potencializar tratamentos médicos, essa inovação também contribui para a reutilização de resíduos industriais, gerando benefícios econômicos e ambientais ao transformar descartes em insumos valiosos para a saúde.



Resultados abrem espaço para o desenvolvimento de 'curativos inteligentes' (imagem: Lee Travathan/Pixabay)





Bioengenharia


Estudo demonstra potencial de extratos da casca de romã no combate a feridas de pele




23 de janeiro de 2026





Material apresentou ação antimicrobiana contra patógeno de difícil tratamento, indica investigação de pesquisadores da Unicamp



Thais Szegö | Agência FAPESP – Pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) comprovou a ação de extrato obtido da casca de romã contra microrganismos causadores de feridas na pele. A substância conseguiu inibir a ação de bactérias comuns, como a Staphylococcus aureus, e da Pseudomonas aeruginosa, um patógeno conhecido por sua alta resistência, e consequentemente, difícil tratamento.



O trabalho, que teve o apoio da FAPESP (processos 23/12621-1, 22/10469-5, 21/12264-9, 19/13496-0, 18/14582-5 e 23/03439-5) e foi coordenado pelo pesquisador Mauricio Ariel Rostagno, foi dividido em quatro partes.



O primeiro passo foi testar a atividade antimicrobiana dos extratos de 11 tipos de resíduos da indústria alimentar – cascas de laranja, manga, maçã, uva, limão e romã; folhas de manga e goiaba; sementes de melão; casca e borra de café – contra microrganismos comuns em infecções de feridas cutâneas.



A casca de romã foi selecionada como o material mais promissor por apresentar a maior atividade antimicrobiana e o maior teor de compostos fenólicos, potentes antioxidantes. Então, ela foi submetida a uma ferramenta de simulação computacional para selecionar solventes verdes, ou seja, ecologicamente corretos – acetona e álcool isopropílico diluídos em água, por exemplo –, que fossem mais eficientes para extrair o ácido elágico, seu principal composto que tem grande potencial antimicrobiano.



“Por fim, fizemos uma validação laboratorial para produzir novos extratos com esses solventes otimizados e testamos sua atividade antimicrobiana novamente em laboratório para confirmar se a eficácia contra os microrganismos havia, de fato, aumentado”, conta a engenheira de alimentos Thais Carvalho Brito Oliveira, pós-doutoranda na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, que liderou o trabalho.



De acordo com os pesquisadores, os resultados obtidos, publicados no Journal of Food Processing and Preservation, abrem espaço para uma ampla gama de pesquisas futuras que incluem a avaliação aprofundada das atividades antimicrobianas de compostos fenólicos puros e suas combinações para estudar efeitos sinérgicos, como a análise da citotoxicidade e a aplicação de extratos otimizados em curativos inteligentes.



Os resultados demonstram um grande potencial prático, mas o estudo ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento laboratorial. Posteriormente serão realizados ensaios in vivo.



O objetivo, segundo os pesquisadores, é obter um produto eficaz que seja uma alternativa natural aos antibióticos sintéticos, cujo uso indiscriminado tem gerado resistência bacteriana. Além disso, encontrar um destino melhor e mais rentável para os descartes da indústria alimentar, transformando-os em produtos de alto valor agregado para a saúde humana.



O artigo A better destination for food industry waste: an assessment of the antimicrobial activity of natural extracts for wound care applications pode ser lido em onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1155/jfpp/2293218.

Resumo da Notícia

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas desenvolveram um extrato da casca de romã com forte ação contra bactérias que causam feridas na pele, incluindo cepas resistentes como a Pseudomonas aeruginosa. O estudo avaliou diversos resíduos da indústria alimentícia e identificou na casca de romã o maior teor de compostos fenólicos antioxidantes e antimicrobianos, especialmente o ácido elágico. Utilizando solventes ecologicamente corretos, a equipe otimizou a extração e validou em laboratório a eficiência do extrato. Os resultados, publicados no Journal of Food Processing and Preservation, indicam que esses extratos podem ser aplicados em curativos inteligentes, oferecendo uma alternativa natural aos antibióticos sintéticos e combatendo a resistência bacteriana crescente. O trabalho ainda está em fase experimental, com próximos passos focados em testes in vivo e análises sobre toxicidade e efeitos combinados dos compostos. Além de contribuir para a saúde humana, a pesquisa propõe uma valorização sustentável dos resíduos alimentares, promovendo produtos de alto valor agregado a partir de descartes industriais.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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