Estudo revela terceira onda migratória de indígenas sul-americanos
Um estudo inovador sobre a história genética dos povos indígenas da América do Sul revela que esses grupos descendem de três ondas migratórias, sendo a mais recente originária da Mesoamérica e datada de aproximadamente 1.300 anos. Essa descoberta, liderada pela geneticista Tábita Hünemeier da Universidade de São Paulo (USP), foi publicada na capa da revista científica Nature e representa um marco na compreensão da complexidade da história dos povos nativos.
A pesquisa envolveu o sequenciamento completo de 128 genomas de 45 etnias de oito países da América Latina, incluindo Brasil, Argentina e Peru. Os dados foram comparados com outras 71 sequências já disponíveis, permitindo uma análise detalhada das afinidades genéticas entre diferentes grupos indígenas. Hünemeier destacou a colaboração com a biomédica Putira Sacuena, a primeira mulher indígena a atuar em antropologia genética, como um avanço importante na inclusão de vozes indígenas em pesquisas que afetam suas comunidades.
Historicamente, a colonização humana da América do Sul teve início com a primeira onda migratória, há cerca de 12 mil anos, e uma segunda, há aproximadamente 9 mil anos, que deixou marcas significativas no registro genético e arqueológico. No entanto, a pesquisa atual revela que há uma terceira onda que não havia sido documentada anteriormente, trazendo novos insights sobre a diversidade genética contemporânea dos indígenas sul-americanos.
Além disso, o estudo aponta que, após a chegada dos europeus no século 16, as populações indígenas tornaram-se menos numerosas e mais isoladas, evidenciando um colapso populacional causado por epidemias e outras perturbações. Essa situação é particularmente evidente entre grupos como os Sirionó, Suruí e Karitiana, que apresentaram sinais de endocruzamento, indicando uma diminuição significativa na diversidade genética.
Uma descoberta intrigante foi a identificação de fragmentos genômicos muito antigos, típicos da Australásia, de neandertais e de denisovanos, preservados no DNA dos indígenas sul-americanos. Isso levanta questões sobre como esses genes antigos podem ter contribuído para a adaptação e sobrevivência dos povos nativos ao longo do tempo.
O estudo também critica a falta de representatividade da diversidade genética brasileira em bancos de dados globais, uma lacuna que precisa ser preenchida para contar a história completa da população sul-americana. O arqueólogo André Strauss, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, que não participou da pesquisa, ressaltou a importância de entender as ligações entre as diferentes ondas migratórias e suas influências na genética atual.
Com mais de mil amostras já sequenciadas, Hünemeier e sua equipe estão empenhados em continuar a pesquisa, focando na diversidade das populações indígenas. A investigação, apoiada pela FAPESP, abre caminhos para um entendimento mais profundo das complexas histórias que moldaram os povos nativos da América do Sul.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.