Estudo revela risco de contaminação em poços artesianos de São Paulo
Um estudo recente revelou que milhares de poços artesianos na Região Metropolitana de São Paulo operam sob risco de contaminação tóxica. A pesquisa, publicada na revista Environmental Earth Sciences, destaca que cerca de 14 mil poços estão presentes na região, dos quais dois terços não estão formalmente cadastrados e muitos foram perfurados em antigas zonas industriais, agora em processos de reconversão imobiliária.
A Região Metropolitana de São Paulo, com aproximadamente 22 milhões de habitantes, consome em média 61,6 metros cúbicos de água por segundo. Apesar da dependência de aquíferos, que responde por cerca de 18% do consumo total, a falta de monitoramento adequado representa um sério risco para a qualidade da água consumida pela população. Os contaminantes identificados incluem solventes clorados, como o percloroetileno e o tricloroetileno, usados na limpeza de peças metálicas e que são altamente tóxicos.
Daphne Silva Pino, pós-doutoranda no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGC-USP), e seus colaboradores, ressaltam a necessidade de atenção para os riscos associados ao uso de aquíferos em áreas industriais. Segundo Pino, “para cada três poços construídos, dois são irregulares, o que dificulta a avaliação da qualidade da água”. Os principais consumidores de água subterrânea incluem clubes, condomínios, indústrias e hospitais.
O estudo também revela que a contaminação por solventes clorados é persistente e pode se agravar ao longo do tempo. Os pesquisadores identificaram a sobreposição de áreas contaminadas e poços de abastecimento em regiões como Mooca, Jurubatuba e Vila Prudente. Essas áreas frequentemente apresentam fontes múltiplas de contaminação, com poços profundos utilizados para consumo humano localizados dentro de cinturões de contaminação.
O monitoramento de áreas contaminadas em São Paulo enfrenta desafios significativos. Até 2020, apenas 18,6% dos locais contaminados por solventes clorados foram classificados como “reabilitados para o uso declarado”. A lentidão na reabilitação reflete a complexidade do problema, com muitos locais ainda em investigação ou em fase de remediação.
Além disso, a legislação paulista exige que, caso haja uma área contaminada a 500 metros de um poço, o responsável deve apresentar relatórios de qualidade da água. No entanto, muitos poços irregulares não estão sujeitos a essa fiscalização, o que agrava a situação.
Os pesquisadores concluem que é fundamental estabelecer uma gestão integrada das águas subterrâneas e das áreas contaminadas, considerando a interconexão entre esses sistemas. Eles defendem a criação de bases de dados mais robustas, equipes multidisciplinares e diagnósticos regionais sistemáticos para abordar a extensão real do problema e orientar políticas públicas a longo prazo.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) e a SP Águas estão atualmente realizando estudos para aprimorar a gestão das águas subterrâneas na região de Jurubatuba, visando integrar as políticas de recursos hídricos e de gerenciamento de áreas contaminadas. A situação demanda ações coordenadas e urgentes para garantir a qualidade da água e a saúde pública na Região Metropolitana de São Paulo.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.