Estudo revela que vírus sabiá circula no Brasil há 142 anos e se altera
Pesquisadores revelaram que o vírus sabiá (SABV), responsável por uma síndrome hemorrágica e neurológica aguda, está presente no Brasil há 142 anos. Análises recentes mostraram que o vírus se modifica ao longo do tempo, o que dificultou sua detecção nos testes diagnósticos convencionais. Este estudo foi publicado na revista PLOS Neglected Tropical Diseases e é fruto do trabalho do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para a descoberta e diagnóstico de arbovírus, apoiado pela FAPESP.
O vírus sabiá, que causou quatro mortes desde 1990, teve novas infecções identificadas em dois pacientes falecidos em 2019 e 2020. Ingra Morales Claro, uma das pesquisadoras do estudo, explicou que a cepa de referência do vírus é de 1990, e as mudanças genéticas ocorridas nos últimos 30 anos exigiram o desenvolvimento de novos métodos diagnósticos.
Os pesquisadores criaram primers, que são pequenos fragmentos de DNA, para detectar o vírus em amostras, e o material foi analisado no Instituto Adolpho Lutz, em São Paulo. O estudo revelou que os genomas do vírus apresentaram 89% de identidade genética em comparação com cepas anteriores, destacando mutações que dificultaram a detecção pelos testes existentes.
O caso de 2020 envolveu um paciente de 52 anos de Sorocaba, que, após apresentar sintomas, foi internado e acabou falecendo. Inicialmente, os testes para febre amarela e outras doenças virais foram negativos. Após a identificação do vírus sabiá, os pesquisadores revisaram outros casos semelhantes e encontraram um segundo paciente, um trabalhador rural de Assis que também faleceu em 2019.
As análises filogenéticas revelaram que o vírus sabiá circula silenciosamente no Brasil há décadas, sugerindo que muitos outros casos podem ter passado despercebidos. A equipe de pesquisa enfatizou a importância de entender a evolução do vírus e de desenvolver testes mais eficazes para prevenir futuros surtos.
Atualmente, ainda não se sabe qual é o reservatório natural do vírus, mas há suspeitas de que roedores silvestres possam ser os responsáveis. As infecções ocorreram em áreas rurais, onde a interação entre humanos e animais é frequente, destacando a importância da vigilância genômica para identificar riscos à saúde pública.
O SABV é considerado um vírus de alto risco em ambientes laboratoriais, o que requer medidas de biossegurança rigorosas. Um novo laboratório, que deverá ser inaugurado em 2030 no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, será o primeiro no Brasil a armazenar e manipular o vírus em condições seguras.
As descobertas feitas no estudo não apenas ilustram a complexidade da detecção do vírus sabiá, mas também sublinham a necessidade de um monitoramento contínuo para antecipar e mitigar possíveis surtos futuros.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.