Cidadania Brasil

Estudo revela que terra indígena preserva ecologia em meio à agropecuária no Cerrado

Pesquisadores destacam a importância da Terra Indígena Pimentel Barbosa na conservação ambiental em um cenário de monoculturas.

Estudo revela que terra indígena preserva ecologia em meio à agropecuária no Cerrado

Os resultados da pesquisa ressaltam a necessidade de reconhecer as terras indígenas como fundamentais para a preservação ambiental, especialmente em um Brasil onde a agropecuária avança rapidamente sobre biomas ricos em biodiversidade.

Um estudo inovador destacou a importância da Terra Indígena Pimentel Barbosa (TIPB), localizada no nordeste de Mato Grosso, como um espaço de conservação ecológica em meio à crescente expansão agropecuária no Cerrado. A pesquisa, que combina métodos de sensoriamento remoto, ciência de dados geográficos e pesquisa de campo, revelou que, ao longo de quatro décadas, a TIPB manteve sua configuração ambiental, enquanto áreas adjacentes foram transformadas em pastagens e lavouras, especialmente soja.

Com uma extensão de 329 mil hectares, a TIPB abriga atualmente cerca de 2.369 pessoas da etnia A’uwẽ Xavante. Desde a sua homologação em 1986, a terra tem sido um exemplo de conservação em um cenário de intensa degradação ambiental. Isabella Coelho de Oliveira, autora principal do estudo, explica que a paisagem da TIPB permanece dominada por vegetação nativa e características ecológicas típicas do Cerrado, enquanto o entorno se transforma em monoculturas.

O estudo, premiado em 2024 no 32º Congresso de Iniciação Científica da Unicamp, analisou a evolução do uso da terra entre 1985 e 2024, utilizando dados do Projeto MapBiomas e técnicas estatísticas para identificar padrões de transformação da paisagem. A pesquisa também envolveu a comunidade Xavante, com Isabella realizando quatro estadias na TIPB para entender as pressões externas sobre o território.

Os pesquisadores observaram três fases distintas no processo de ocupação e uso da terra: uma fase inicial, entre 1985 e 1995, marcada por vegetação nativa; uma fase de transição, de 1996 a 2012, caracterizada pelo desmatamento; e uma fase de consolidação, entre 2013 e 2024, onde a agropecuária predomina. Anderson Targino Ferreira, colaborador do estudo, enfatiza que a continuidade ecológica foi severamente comprometida no entorno, enquanto a TIPB se manteve como um refúgio de biodiversidade.

Isabella também organizou oficinas com a comunidade para capacitar os jovens na utilização de tecnologias de mapeamento, promovendo uma troca de saberes que valoriza tanto o conhecimento tradicional quanto o científico. Essa colaboração busca fortalecer a autonomia da população local na defesa e monitoramento de seu território.

A pesquisa dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente em temas de redução das desigualdades, ação contra as mudanças climáticas e preservação da vida terrestre. Os autores do estudo ressaltam que as terras indígenas desempenham um papel crucial na proteção das biodiversidades e na mitigação de impactos ambientais, tornando-se bastiões de preservação socioambiental em um Brasil marcado pela degradação.

O Cerrado, vital para a biodiversidade e recursos hídricos, enfrenta ameaças significativas com a expansão da agropecuária. O estudo reforça que a estabilidade da TIPB está ligada à continuidade dos sistemas de governança indígena, que têm sido fundamentais para a conservação da flora e fauna locais.

Os A’uwe Xavante consideram o Cerrado não apenas um recurso natural, mas um elemento central de sua identidade cultural, envolvendo práticas tradicionais e uma concepção cosmológica que abrange toda a sua relação com a terra. Com isso, a pesquisa destaca a importância de reconhecer e respeitar os saberes indígenas na luta pela preservação ambiental e pela justiça social.

Resumo da Notícia

Uma pesquisa recente revelou que a Terra Indígena Pimentel Barbosa, habitada pelo povo A’uwẽ Xavante, manteve sua configuração ambiental inalterada ao longo de quatro décadas, contrastando com a degradação das áreas vizinhas provocada pela expansão da agropecuária. O estudo, que combina sensoriamento remoto e pesquisa de campo, mostra como as terras indígenas se tornaram baluartes de preservação socioambiental, destacando a importância da governança indígena na proteção da biodiversidade do Cerrado.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

Notícias por município