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Estudo revela que milho sustentou aldeias pré-coloniais no Cerrado brasileiro

Pesquisa da USP mostra práticas agrícolas sofisticadas entre comunidades indígenas do Brasil entre os séculos 9 e 17.

Estudo revela que milho sustentou aldeias pré-coloniais no Cerrado brasileiro

A descoberta altera a percepção histórica sobre as comunidades indígenas do Cerrado, revelando uma rica agricultura que moldou a paisagem local. Isso é crucial para a valorização e preservação do bioma, além de oferecer insights sobre as práticas alimentares de populações antigas.

O cultivo de milho foi uma peça-chave para o desenvolvimento e a sobrevivência de grandes aldeias que habitaram o Cerrado brasileiro entre os séculos 9 e 17, conforme aponta um estudo inovador publicado na revista Science Advances. A pesquisa, liderada por arqueólogos da Universidade de São Paulo (USP) e apoiada pela FAPESP, revela pela primeira vez as complexas estratégias de subsistência alimentar dessas comunidades, que se dedicavam à prática da policultura, com foco especial no milho.

Até o momento, a ciência considerava essas populações predominantemente como caçadoras-coletoras ou agricultoras de monocultura. No entanto, os pesquisadores encontraram evidências de que as aldeias eram densamente povoadas e utilizavam técnicas agrícolas avançadas, que incluíam o cultivo de várias espécies ao mesmo tempo. Essa nova compreensão não só enriquece o conhecimento sobre a história humana em uma das savanas mais biodiversas do planeta, mas também elucida como essas práticas moldaram as paisagens do Cerrado que conhecemos hoje.

A pesquisa destaca a importância do milho e seu papel fundamental na dieta dessas sociedades pré-coloniais, que possuíam uma variedade de alimentos em suas refeições. Utilizando análises químicas de isótopos em ossos e dentes humanos de mais de cem indivíduos, os cientistas conseguiram traçar um registro alimentar que revelou um consumo significativo de milho, comparável ao de populações maias e andinas. Essa descoberta é surpreendente, considerando o contexto histórico pouco explorado.

Eliane Chim, pesquisadora do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e principal autora do artigo, enfatiza a relevância do estudo, afirmando que ele é o primeiro a demonstrar o papel central do milho na subsistência das populações brasileiras pré-coloniais. Já André Strauss, coordenador do projeto, ressalta que a pesquisa é um marco na arqueologia nacional, por ser publicada em uma revista de alto impacto com autores brasileiros.

Os arqueólogos analisaram isótopos estáveis de carbono, nitrogênio e oxigênio em amostras de ossos e dentes de diversos sítios arqueológicos, permitindo identificar a composição alimentar das populações, que variava entre as comunidades Aratu e Una. Enquanto as Aratu eram mais populosas e dependiam fortemente do milho, as Una apresentavam uma dieta mais diversificada, refletindo diferenças culturais e econômicas.

Após mais de dez anos de pesquisa, que envolveu 31 especialistas de diversas instituições, a equipe planeja retomar as atividades de campo para localizar espaços de cultivo e aprofundar o entendimento sobre os modos de vida dessas comunidades. O estudo oferece uma nova visão sobre a relação entre as sociedades indígenas e o ambiente em que viveram, destacando a necessidade de preservar o Cerrado e valorizar sua história.

Resumo da Notícia

Uma nova pesquisa realizada por arqueólogos da Universidade de São Paulo revela que o cultivo de milho foi essencial para a sustentação de grandes aldeias no Cerrado entre os séculos 9 e 17. Ao contrário da crença anterior que considerava essas populações como caçadoras-coletoras ou agricultoras de monocultura, o estudo mostra que elas praticavam a policultura. Os resultados ajudam a entender a influência humana na biodiversidade do bioma e as estratégias alimentares de sociedades indígenas.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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