Estudo revela que goma xantana pode provocar inflamação intestinal
Um estudo recente indica que o consumo crônico de goma xantana, um aditivo alimentar comum, pode estar ligado ao desenvolvimento de inflamações no intestino. Essa substância, obtida a partir da fermentação de açúcares pela bactéria Xanthomonas campestris, é frequentemente utilizada para melhorar a textura de alimentos como sorvetes, iogurtes e produtos sem glúten.
A pesquisa, publicada na revista PLOS One, foi conduzida por cientistas brasileiros e revelou que a ingestão contínua da goma xantana pode comprometer a barreira intestinal nos ratos. Os experimentos mostraram que a substância ativa o sistema de defesa do organismo, resultando em um estado inflamatório moderado, evidenciado pela presença de células de defesa na parede intestinal.
Os testes envolveram quatro grupos de ratos, onde apenas um grupo não recebeu a goma xantana. Os outros três grupos consumiram diferentes doses do aditivo, simulando situações que vão desde o uso em dietas sem glúten até a alimentação de pacientes com dificuldade para engolir. O estado inflamatório foi mais intenso nas doses médias e altas, com análises mostrando níveis aumentados de moléculas inflamatórias.
Em particular, a pesquisa revelou um aumento na proteína Claudina-2, que está relacionada ao aumento da permeabilidade intestinal. Esse fenômeno pode permitir que substâncias indesejadas transitem do intestino para a corrente sanguínea, provocando reações inflamatórias em todo o corpo. Embora a diversidade da microbiota intestinal não tenha mudado significativamente, o equilíbrio bacteriano foi afetado, indicando um quadro de disbiose, que pode estar associado a doenças inflamatórias.
A goma xantana é um produto biotecnológico que se tornou popular na indústria alimentícia. Sua produção envolve um processo controlado onde as bactérias são cultivadas e alimentadas com carboidratos, resultando em uma goma que passa por purificação e secagem antes de ser utilizada. Apesar de sua importância, o uso excessivo em alimentos ultraprocessados levanta preocupações sobre os efeitos a longo prazo.
Os pesquisadores enfatizam a necessidade de mais estudos sobre os efeitos da goma xantana na saúde humana, especialmente em populações vulneráveis, como crianças e idosos. Eles sugerem que, embora o uso ocasional possa ser seguro, a ingestão diária e em altas quantidades pode ser prejudicial. O alerta é claro: é fundamental monitorar a saúde intestinal e considerar a inclusão de probióticos na dieta.
A Agência FAPESP contatou associações do setor alimentício, mas elas preferiram não comentar sobre os achados do estudo. A pesquisa ressalta a importância de reavaliar o uso de aditivos como a goma xantana, em um cenário onde a alimentação saudável é cada vez mais discutida e valorizada.
Resumo da Notícia
Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.