Estudo revela estratégias do mofo azul que prejudica frutas cítricas no Brasil

Pesquisadores da Unicamp e USP desvendam as táticas do fungo que ameaça a citricultura nacional e sugerem alternativas sem agrotóxicos.

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Estudo revela estratégias do mofo azul que prejudica frutas cítricas no Brasil

Estudo revela estratégias do mofo azul que prejudica frutas cítricas no Brasil

Compreender as estratégias do mofo azul é crucial para a citricultura brasileira, pois pode levar ao desenvolvimento de métodos de controle mais eficazes e sustentáveis, reduzindo as perdas pós-colheita.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP) descobriram como o mofo azul, causado pelo fungo Penicillium italicum, consegue devastar frutas cítricas como laranjas, limões e tangerinas. Essa pesquisa, financiada pela FAPESP e publicada no Journal of Agricultural and Food Chemistry, esclarece as táticas do patógeno, que libera moléculas químicas que neutralizam as defesas naturais das frutas e os microrganismos benéficos que vivem em suas superfícies.

O Brasil, que lidera a produção de laranjas e a exportação de suco, enfrenta perdas significativas no pós-colheita devido a fungos, com o mofo azul sendo um dos mais problemáticos. Segundo Taícia Pacheco Fill, professora do Instituto de Química da Unicamp e principal autora do estudo, entender o arsenal químico dos patógenos é fundamental para desenvolver métodos de controle que não dependam de agrotóxicos.

Atualmente, o controle do mofo azul é feito por meio de fungicidas sintéticos, que têm mostrado resistência crescente e levantado preocupações ambientais. Os pesquisadores utilizaram técnicas de metabolômica para identificar as substâncias químicas que o P. italicum produz durante a infecção. Eles descobriram que a ausência dessas moléculas resulta em um crescimento significativamente reduzido do fungo, o que abre novas possibilidades para o desenvolvimento de inibidores específicos que possam desarmar o patógeno sem afetar as frutas.

A disseminação rápida do mofo azul, um fenômeno conhecido como nesting, é responsável por até 50% das perdas em países como a China, que também é um grande produtor de laranjas. Durante a pesquisa, os cientistas analisaram como o fungo se instala na casca das frutas, utilizando enzimas para desmantelar a parede celular e, ao mesmo tempo, enfrentando a resposta bioativa da fruta, que tenta se defender com compostos antifúngicos.

O estudo revelou que o P. italicum produz seus próprios compostos bioativos para combater as defesas das frutas e os microrganismos benéficos. Essa luta química complexa permite que o fungo se estabeleça e prospere, destacando a necessidade urgente de novas estratégias de controle. Os cientistas ressaltam que o entendimento das moléculas produzidas pelo patógeno é um passo inicial para desenvolver métodos de combate mais seguros e eficazes, minimizando o impacto ambiental e os riscos à saúde humana.

Com essas descobertas, os pesquisadores esperam desenvolver inibidores que possam ser aplicados de forma mais segura, beneficiando a citricultura no Brasil e contribuindo para a redução das perdas pós-colheita, que representam um desafio significativo para os agricultores.

Resumo da notícia
Um novo estudo premiado das universidades Unicamp e USP analisa como o mofo azul, causador de grandes prejuízos na citricultura brasileira, supera as defesas naturais de laranjas, limões e tangerinas. A pesquisa revela o arsenal químico do fungo e aponta caminhos para o desenvolvimento de métodos de controle mais sustentáveis, sem o uso de fungicidas sintéticos. Essas descobertas são essenciais para o Brasil, que é o maior produtor e exportador de suco de laranja do mundo, mas enfrenta desafios no pós-colheita.
Resumo editorial produzido com apoio de inteligência artificial.