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Estudo revela como isótopos da água ajudam a prever secas na Amazônia

Pesquisadores da Unesp utilizam técnicas isotópicas para analisar mudanças nas chuvas e alertar sobre estiagens na região.

Estudo revela como isótopos da água ajudam a prever secas na Amazônia

A pesquisa representa um avanço no entendimento das chuvas na Amazônia, essencial para prever eventos climáticos extremos. Com os isótopos da água, é possível antecipar secas prolongadas, um dado crucial para a gestão de recursos hídricos na região.

Cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) estão utilizando isótopos da água para mapear mudanças nas chuvas da Amazônia, uma técnica que pode revelar a origem da umidade e ajudar a prever estiagens. A pesquisa, realizada em Manaus, mostra como fenómenos climáticos, como o El Niño e o aquecimento do Atlântico Norte, impactam a dinâmica das chuvas na região, especialmente em um cenário de secas severas que atingiram a Amazônia em 2023 e 2024.

O estudo, liderado pela geógrafa Rafaela Rodrigues Gomes, utilizou isótopos como uma espécie de “impressão digital” da água. Essas versões mais leves ou pesadas dos átomos de hidrogênio e oxigênio em moléculas de água podem indicar mudanças nas condições atmosféricas. Gomes explica que a proporção entre os isótopos é afetada por fatores como evaporação e condensação, variando com as condições meteorológicas locais.

Os pesquisadores coletaram 207 amostras diárias de chuva em Manaus entre março de 2023 e fevereiro de 2025. Essa abordagem distinta, que contrasta com estudos anteriores que utilizavam coletas mensais, permitiu identificar com precisão a influência de sistemas atmosféricos, como a Zona de Convergência Intertropical, responsável por grande parte das chuvas na região. Durante a estação chuvosa, a ZCIT favorece a umidade do Atlântico Norte, enquanto os meses mais secos são marcados pela Alta Subtropical do Atlântico Sul, que traz ar mais seco.

A pesquisa também comparou os dados atuais com amostras coletadas entre 1965 e 1990, revelando mudanças na composição isotópica da chuva devido ao aquecimento global e secas prolongadas. O fenômeno El Niño, que altera os padrões de ventos e chuvas, foi identificado como um dos principais responsáveis pelas secas extremas observadas na Amazônia central.

Os resultados indicam que a proporção de isótopos pesados aumenta durante períodos de seca, um sinal que pode ser antecipado em comparação a anos anteriores. Isso sugere que os isótopos estão se tornando um indicador valioso para prever secas, especialmente em um contexto de mudanças climáticas. Os pesquisadores destacam a importância de continuar a coleta de dados para validar esses sinais e ampliar a rede de monitoramento para além de Manaus.

Com a nova fase do doutorado de Gomes, a pesquisa se expandirá para 19 estações ao longo da Amazônia, visando entender melhor a dinâmica da umidade que se desloca para a região e seu impacto nas chuvas em outras partes do Brasil. O estudo representa um passo importante na busca por soluções para a gestão de recursos hídricos em uma região vulnerável às mudanças climáticas.

Resumo da Notícia

Uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) utiliza isótopos da água para monitorar as alterações nas chuvas da Amazônia, revelando como fenômenos climáticos como o El Niño afetam a umidade na região. O estudo, que abrange amostragens diárias em Manaus, pode servir como um alerta precoce para períodos de seca prolongada, destacando a importância das técnicas isotópicas em contextos de mudanças climáticas e secas extremas.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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