Saúde e Bem-Estar Brasil

Estudo revela alto risco de uso de substâncias entre jovens LGBTQIAPN+ no Brasil

Pesquisa da USP aponta que jovens da comunidade LGBTQIAPN+ iniciam consumo de drogas mais cedo que cis-heterossexuais.

Estudo revela alto risco de uso de substâncias entre jovens LGBTQIAPN+ no Brasil

Os resultados ressaltam a urgência de políticas de saúde mental que abordem as especificidades da comunidade LGBTQIAPN+. O preconceito e a exclusão social podem levar a um aumento no uso de substâncias como mecanismo de enfrentamento, exigindo intervenções eficazes.

Uma nova pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) revelou que jovens da comunidade LGBTQIAPN+ estão em um grupo de maior risco para o uso de substâncias psicoativas. O estudo, liderado pelo psiquiatra Caio Petrus Monteiro Figueiredo, envolveu 1.492 participantes com idades entre 9 e 21 anos de São Paulo e Porto Alegre, e constatou que esses jovens iniciam o consumo de álcool, tabaco, cannabis e cocaína mais cedo do que os jovens cis-heterossexuais.

Os dados indicam que 48% dos jovens LGBTQIAPN+ consomem tabaco, em comparação a 37% entre os cis-heterossexuais. O uso de cannabis também foi mais alto, com 40% contra 27%, e 7,4% relataram o uso de cocaína, enquanto apenas 3,6% dos cis-heterossexuais o fizeram. Em contrapartida, o consumo de álcool foi semelhante entre os grupos, com 85,9% dos jovens LGBTQIAPN+ e 83,7% dos cis-heterossexuais relatando seu uso.

A pesquisa observou que o uso de substâncias é ainda mais pronunciado entre mulheres bissexuais dentro da comunidade. Dentre elas, 77,9% consomem álcool, 26,3% tabaco, 56% cannabis e 9,2% cocaína. Além disso, essas mulheres tendem a iniciar o uso de substâncias entre 10 e 15 anos, contrastando com o início do uso entre 13 e 17 anos para mulheres heterossexuais.

Os pesquisadores destacam que fatores sociais, como discriminação e estigmatização, desempenham um papel significativo no comportamento de uso de substâncias. Experiências de preconceito e exclusão podem intensificar o sofrimento psicológico, levando jovens LGBTQIAPN+ a buscar drogas como um meio de enfrentamento. Figueiredo enfatiza a necessidade de estratégias de prevenção que levem em consideração a diversidade de gênero e sexualidade, integrando ações em ambientes escolares e comunitários.

O estudo, publicado no periódico International Review of Psychiatry, sublinha a importância de abordar a saúde mental de jovens LGBTQIAPN+ de forma sensível e específica, a fim de reduzir os riscos associados ao uso de substâncias. Figueiredo sugere que intervenções digitais também podem ser eficazes em atingir adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Diante dessas descobertas, a implementação de políticas e programas voltados para a saúde mental da comunidade LGBTQIAPN+ se torna essencial. O estudo ilumina a necessidade urgente de suporte e recursos adequados para enfrentar as complexidades enfrentadas por esses jovens, promovendo um ambiente mais inclusivo e saudável.

Resumo da Notícia

Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP destaca que jovens LGBTQIAPN+ têm maior probabilidade de consumir substâncias psicoativas, como tabaco, cannabis e cocaína, além de começarem o uso mais cedo em comparação com seus pares cis-heterossexuais. O estudo, que analisou dados de 1.492 jovens, sugere que fatores como discriminação e estigma sociais influenciam esse comportamento. As recomendações incluem a criação de estratégias de prevenção focadas na diversidade sexual e de gênero.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.