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Estudo inova com micropartículas para estabilizar corante natural azul

C-ficocianina, extraída de Spirulina, ganha proteção com quitosana, ampliando seu uso em alimentos

Estudo inova com micropartículas para estabilizar corante natural azul

A pesquisa pode transformar a indústria de alimentos ao permitir o uso de corantes naturais em produtos que tradicionalmente usam corantes artificiais. Isso representa um avanço significativo em direção à sustentabilidade e à saúde dos consumidores.

Um novo estudo revela que a encapsulação da C-ficocianina, um corante azul extraído da microalga Arthrospira platensis, pode aumentar sua estabilidade e, consequentemente, seu uso na indústria alimentícia. Pesquisadores de instituições brasileiras e de uma universidade da Alemanha desenvolveram micropartículas de quitosana, um biopolímero derivado de crustáceos, para proteger essa substância, conhecida por suas propriedades antioxidantes e pela intensa coloração azul.

A C-ficocianina tem se destacado como uma alternativa promissora aos colorantes sintéticos, especialmente devido à crescente demanda dos consumidores por ingredientes mais seguros e naturais. No entanto, sua utilização era limitada, uma vez que a substância é sensível ao calor, luz e variações de pH, o que compromete sua coloração e funcionalidade em produtos processados.

Para resolver essa questão, os cientistas utilizaram a técnica de spray drying, que transforma líquidos em pó seco, permitindo a preservação das propriedades do corante. As micropartículas resultantes possuem uma estrutura interna porosa que atua como um reservatório, protegendo a C-ficocianina de fatores externos que poderiam causar sua degradação.

As análises realizadas no acelerador de partículas Sirius mostraram que as micropartículas formam uma rede semelhante a um hidrogel, oferecendo maior retenção e estabilidade ao corante. Os testes revelaram que, enquanto a forma livre da C-ficocianina apresentava degradação rápida sob calor, a versão encapsulada mantinha sua integridade e coloração mesmo em condições adversas.

O estudo, que recebeu apoio da FAPESP, já está avançando para a próxima fase, onde o desempenho do corante encapsulado será testado em um modelo alimentar, como sobremesas de gelatina. Essa etapa é crucial para avaliar a viabilidade prática do uso do corante em produtos que passam pelo processo de aquecimento.

Se bem-sucedido, esse desenvolvimento abre portas para a aplicação da C-ficocianina em diversos alimentos, como doces, iogurtes e bebidas, permitindo que a indústria substitua corantes artificiais por opções naturais. Para garantir a comercialização, no entanto, serão necessárias validações em escala piloto e avaliações regulatórias específicas.

A engenheira bioquímica Valéria de Carvalho Santos Ebinuma, coordenadora do trabalho, destaca a importância dessa inovação não apenas para estabilizar um corante, mas para promover tecnologias sustentáveis que atendem à crescente demanda por produtos mais saudáveis e ambientalmente responsáveis. O estudo representa um avanço significativo na busca por soluções naturais na indústria alimentícia.

Resumo da Notícia

Pesquisadores de diversas instituições desenvolveram micropartículas de quitosana para aumentar a estabilidade da C-ficocianina, um corante natural azul com propriedades antioxidantes. Essa inovação pode viabilizar a utilização do colorante em produtos alimentícios que exigem aquecimento, como iogurtes e sobremesas, atendendo à demanda por alternativas naturais aos corantes artificiais. O estudo é um passo importante rumo à sustentabilidade na indústria alimentícia.

Resumo editorial produzido pela plataforma com apoio de inteligência artificial.

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